Artigo de servidor critica tratamento a policiais legislativos
Texto defende trabalho feito por policiais legislativos
por Antônio Vandir*
Não é fácil o trabalho de um Policial Legislativo. Estamos sempre caminhando no fio da navalha. De um lado, a força da lei, do direito, do regulamento que conhecemos muito bem; de outro, o jogo político. Aliás, esta é a primeira coisa que ouvimos ao ingressar na carreira: “- Estamos numa Casa política!” Ou seja, todas decisões tomam um viés político, orientam-se por um eixo político, nem sempre técnico. A assertiva, muitas vezes, ganha um tom de ameaça!
O episódio ocorrido no dia 12 de setembro último, no Salão Azul do Senado Federal, quando a atenção de toda a nação voltava-se para o acompanhamento da sessão secreta que analisava o projeto de resolução que recomendava a cassação do mandato do Presidente Renan Calheiros, ilustra bem o quadro. E muito embora abomine o lugar-comum, devo afirmar que ‘na contenda entre os elefantes quem leva a pior é a grama’. Nós somos a grama, na disputa entre os mamutes colossais! Pisoteados nas palavras duras do venerando deputado, amarfanhados nas reprises televisivas, macerados em um pré-julgamento onde não temos a imunidade do discurso, tampouco o canal midiático. O que temos é o dever estatutário de permanecer em silêncio!
Porém, somos operadores do Direito e servidores fiéis do Estado. Almejamos ser uma polícia técnico-científica, para garantir sempre um parlamento livre e independente, onde se desenrola o jogo político; tão necessário quanto democrático (republicano, diriam alguns!), mas do qual, meus ilustres senhores, não podemos e nem queremos fazer parte!
* Antônio Vandir de Freitas Lima é Policial Legislativo Federal
Membro do Conselho Fiscal do SINDILEGIS
Imprensa Sindilegis - 26/9/2007
