Atualizado em :23/04/2012
O desafio da UnB é resgatar o espírito de Brasília
 
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (PSB-DF. Sem revisão do orador.) - Prezado Senador Cristovam Buarque, Presidente desta sessão; prezado Deputado Arlindo Chinaglia, autor do requerimento junto com o Senador Cristovam Buarque e com a Deputada Erika Kokay, com quem tive a honra de assinar; prezada companheira Deputada Erika Kokay; prezado amigo Reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Souza Júnior; prezado amigo Swedenberger Barbosa, representando aqui o Governador do Distrito Federal; prezada Sra. Josefina Serra dos Santos, Secretária de Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal; prezado Prof. Heitor Gurgulino de Souza, Secretário-Geral da Associação Internacional de Presidentes de Universidades; prezado Prof. Luis Humberto Miranda Martins Pereira, fundador da Universidade de Brasília — é uma alegria revê-lo aqui —; querido amigo Reitor Lauro Morhy; prezados Deputados Distritais — Deputada Arlete Sampaio, Deputado Joe Valle —; prezado Secretário de Segurança Pública, amigo Sandro Avelar; prezado Coordenador-Geral do Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura, Sr. Zulu Araújo; Sr. Gustavo Balduíno, Secretário-Executivo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior; Sr. Gerson Penna, Diretor da Fiocruz; prezada Profa. Yolanda Lima Lobo, representando o Reitor da Universidade Norte Fluminense; prezado Pedro Ivo Santana, representando o Diretório Central dos Estudantes; prezadas professoras, professores, Deputados Federais — Deputado Izalci, Deputado Policarpo e demais Parlamentares aqui presentes —; Sr. João Batista de Souza, Vice-Reitor da UnB, professor; Sr. Marcos Woortmann, Administrador do Lago Norte, 

o meu depoimento, bastante emocionado, da manhã de hoje, será o depoimento de um aluno. Em 1 ano e 4 meses de mandato de Senador, eu nunca me senti tão emocionado como me senti ao entrar neste plenário do Senado Federal, ao encontrar tantas pessoas que admiro, com quem convivi. Eu confesso que me sinto até um pouco tímido em falar para tantos professores. Portanto, eu vou falar com o coração, do fundo do meu coração. E as minhas primeiras palavras são de profunda gratidão, de profunda gratidão à minha Universidade, à Universidade de Brasília, a todos os meus mestres, a todos os meus professores que me permitiram chegar até aqui.

A UnB é uma universidade muito presente na vida de todos nós, basta olhar para esta Mesa: Presidente da Câmara, hoje, Líder do Governo, médico brilhante, agora um brilhante operador político, que muitas vezes precisa fazer operações muito mais delicadas do que faria na Medicina, seja como Presidente da Câmara, seja como Líder do Governo; nosso querido Berger, Mestre pela Universidade de Brasília, daqui a alguns dias, Doutor pela Universidade de Brasília; nossa querida Arlete, médica; nossa querida Erika; Deputado Joe Valle e tantos outros que se formaram na UnB.

Para alguns, a UnB é a própria vida. E quero registrar que, para mim, a UnB é a minha própria vida. Na UnB, eu me casei. Conheci minha esposa numa aula de Introdução à Sociologia. Na UnB, eu me formei. Foi ali que aprendi História. E na UnB, foi meu batismo político.

Casei-me com Márcia, há 32 anos, aluna de Sociologia. Sou casado há 32 anos, portanto, acho que casei bem. Aprendi História. E aqui quero agradecer a todos os mestres, na figura da queridíssima Profa. Adalgisa. Foi ali que recebi a minha formação de esquerda no curso de História. E foi na UnB, o meu batismo, porque, na greve de 1977, ainda aluno secundarista — só entraria na UnB no vestibular de 1978 —, representei o pré-universitário. Foi a primeira vez que falei em público, numa assembleia, no Teatro de Arena. Posteriormente, em 1979, refundamos o Centro Acadêmico de História. Tive a honra de representar o Centro Acadêmico de História no Congresso de Reconstrução da UNE.

Mas a história da UnB é a história de Brasília. A história de Brasília se confunde com a história da UnB, e a história da UnB se confunde com Brasília, porque são uma coisa só. E, ao pensar na UnB, nós temos de pensar o que significou Brasília. Brasília é a maior obra, é a maior demonstração da capacidade de realização do povo brasileiro. É muito fácil ver Brasília, hoje construída, uma cidade que, aos 27 anos, se tornou Patrimônio Cultural da Humanidade, mas vamos imaginar o que foi construir Brasília há 50 aos, quando não tínhamos a logística que temos hoje, não tínhamos a infraestrutura que temos hoje.

Mas Juscelino Kubitschek conseguiu reunir naquela ocasião o que havia de melhor do talento brasileiro. Ele próprio, como grande líder; Lúcio Costa, nosso querido urbanista; Oscar Niemeyer, Athos Bulcão, Burle Marx, Israel Pinheiro, Bernardo Sayão. E tantos outros, candangos, pioneiros de todos os lugares do Brasil, que vieram para cá não para construir uma cidade apenas, mas para construir um novo país.

E foi esse mesmo espírito de construção de um novo país, o que eu chamo de espírito de Brasília, que foi o espírito que fundou a Universidade de Brasília, com outros grandes brasileiros, como Darcy Ribeiro, como Anísio Teixeira, com propostas ousadas, inovadoras, que, 50 anos depois, continuam absolutamente atuais e continuam absolutamente avançadas.

E precisamos pensar no futuro da UnB, resgatando o que foi a construção da UnB, o que foi a construção de Brasília, o otimismo, a crença no nosso futuro, que moveu a construção da nossa cidade, e que moveu a construção da UnB. É com esses olhos que nós temos de pensar qual é o futuro do ensino, da pesquisa e da extensão na Universidade de Brasília.

Como nós estamos formando os nossos mestres, os nossos profissionais, os nossos professores, os nossos quadros. Ontem, um professor me dizia que, de grande parte das pessoas formadas em licenciatura pelas universidades brasileiras, e não só pela UnB, muito poucos acabam indo para o magistério, porque o magistério ainda é muito pouco atraente. E é papel da Universidade de Brasília pensar como refazer isso, como reconstruir isso, porque não tem sentido fazermos um investimento tão grande para formar professores se a carreira de professor não atrai essas pessoas.

Para um país mudar, é preciso mudar a educação. Qual é a ética do desenvolvimento? A UnB precisa pensar nos novos tempos, em que nossos recursos naturais são escassos, finitos. Qual é a ética do desenvolvimento? O que isso tem a ver com a Universidade de Brasília nas suas linhas de pesquisa de novas energias, de novos materiais, no seu esforço de inovação tecnológica, rompendo preconceitos, promovendo uma interação cada vez maior com o setor produtivo, com a sociedade, gerando inovação?

Qual é o papel da Universidade de Brasília na extensão tecnológica, sempre o patinho feio do tripé da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, não uma extensão messiânica, arrogante, mas uma extensão libertadora, que promova um diálogo entre o saber produzido na universidade e o saber produzido pelo povo na sua luta pela subsistência, produzindo novos saberes?

A UnB é absolutamente indispensável para o Distrito Federal, para a sua região metropolitana, tão defendida pelo querido Prof. Aldo Paviani, para toda a Região Centro-Oeste, para todo o nosso País, embora ainda haja alguns que critiquem Brasília, o que foi Brasília, não o momento em que vive Brasília, mas o que significa Brasília do ponto de vista estratégico. Vamos pensar o que seria o Brasil sem Brasília, o que seria a Região Centro-Oeste sem Brasília, o que seria essa região sem a Universidade de Brasília.

A Universidade de Brasília, minha gente, tem uma responsabilidade imensa na construção do nosso futuro, de novos paradigmas para o nosso futuro, na definição dos caminhos, na superação das dificuldades, pensando a nossa forma de desenvolvimento, a ética do desenvolvimento. Eu diria aqui, como uma pessoa comprometida com a nossa universidade, que hoje está no Gama, na Ceilândia, em Planaltina, como reivindicação da população do Distrito Federal pelo apreço, pelo respeito que tem pela UnB. E gostaria de ver a UnB na região metropolitana do Distrito Federal, presente, discutindo os problemas e formulando soluções alternativas para essa região também.

Mas, eu diria que o nosso grande desafio, o grande desafio da nossa universidade, da nossa UnB, é resgatar o espírito de Brasília, o espírito empreendedor, inovador, contestador, singular, ousado e de vanguarda que motivou a criação da nossa cidade e a criação da nossa universidade.

Eu tenho certeza de que vamos conseguir. É exatamente nos momentos de grande dificuldade por que passa a cidade e por que passam as universidades públicas que estão as grandes oportunidades de formular novos caminhos. Quero dizer que tenho plena confiança de que a UnB dará conta desse desafio.

Muito obrigado.
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