Atualizado em :16/04/2012
Ações básicas de saúde poderiam melhorar atendimento
A precariedade na assistência prestada à população na área de saúde foi analisada na terceira audiência pública que o Senado realizou sobre o a região do Distrito Federal e do Entorno
 

Márcia Kalume/Agência SenadoApesar de ter a maior renda per capita do país, o Distrito Federal apresenta um desempenho negativo da saúde pública na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE/DF) – formada por 31 regiões administrativas do DF, 19 municípios de Goiás e três municípios de Minas Gerais.


A precariedade na assistência prestada à população foi analisada na terceira audiência pública que a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), realiza sobre o a região, nesta segunda-feira (16). A estruturação da atenção primária de saúde - baseada na atuação das equipes de saúde da família - pode ser a chave para desafogar e melhorar esse serviço.

Quem primeiro apontou essa saída foi o secretário de saúde do Distrito Federal, Rafael Barbosa. Segundo informou, a cobertura do Programa Saúde da Família (PSF) alcançou apenas 26% da população em 2011, mas a meta, para este ano, é chegar a 50%. A prioridade à atenção primária de saúde se justifica porque tem impacto na redução dos atendimentos ambulatoriais e das internações hospitalares.

Ao lado da atenção primária, o coordenador do Núcleo de Estudos de Saúde Pública da Universidade de Brasília (UnB), Márcio Florentino, ressaltou a necessidade de planejamento de ações integradas pelos municípios incluídos na RIDE/DF. Também considerou fundamental a população acompanhar a definição das políticas públicas na área e cobrar dos gestores sua implementação.

- Não é possível pensar em boa assistência em rede se não tiver atenção primária funcionando junto às comunidades e aos municípios. Isso só vai mudar com a comunidade local cobrando, via conselhos de saúde, os compromissos assumidos pelos gestores – afirmou, lamentando a interrupção de programas e investimentos em saúde quando há mudanças na condução política.

Obras de infraestrutura também foram reivindicadas como melhoria para os indicadores de saúde do entorno do DF. Nessa região, de acordo com o superintendente executivo da Secretaria de Saúde de Goiás, Halim Girad, apenas 17% dos municípios têm esgoto tratado.

- A atenção primária de saúde é a porta. Daí vem a necessidade de um PAC para o entorno – comentou.

À frente do ciclo de debates sobre a RIDE/DF, o senador Rodrigo Rollemberg(PSB-DF) aguarda ansioso pelo PAC do Entorno, que deve injetar de R$ 7 a R$ 8 bilhões em seu desenvolvimento. Na sua avaliação, o saneamento deve concentrar esses investimentos e, assim, ajudar a aliviar a demanda sobre o sistema público de saúde.

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antonio Geraldo da Silva, avaliou como equivocada a assistência à saúde mental prestada não só no entorno do DF, mas em todo o país. Apesar de concordar com o fechamento de antigos hospitais psiquiátricos, ele acredita ser necessário priorizar o atendimento ambulatorial combinado com psicoterapia. Mas não deixou de ressalvar que pacientes em surtos psicóticos podem precisar de internamento.

- Das dez causas de afastamento do trabalho, cinco são por doença mental. Com o crack, o cenário é piorado, pois a droga agrava doenças psíquicas. Acabar com os leitos psiquiátricos é um erro porque precisamos deles para atender, por exemplo, a dependentes de drogas – observou.

De acordo com o secretário Rafael Barbosa, o Distrito Federal ostenta, hoje, a pior cobertura brasileira em saúde mental.

 
Fonte: Agência Senado