Atualizado em :04/05/2010
Nova agenda para Brasília
Neste artigo publicado no jornal Correio Braziliense, Rollemberg defende a implementação de políticas vigorosas e efetivas nas áreas de saúde, segurança, transporte, moradia, meio ambiente e alimentação
 

Brasília é a maior manifestação da capacidade de realização do povo brasileiro. No curtíssimo intervalo entre outubro de 1956, quando se inicia a construção do Palácio da Alvorada, e 21 de abril de 1960, data de inauguração da cidade, o sonho de Tiradentes, José Bonifácio e Dom Bosco virou realidade, sob a liderança política de Juscelino e a genialidade de Oscar Niemeyer e Lucio Costa.

Isso foi possível graças ao entusiasmo e à competência de brasileiros de todas as classes sociais. Nunca é demais destacar que, embora se apresentasse como terra de oportunidades, Brasília exigiu de seus construtores e primeiros habitantes enormes sacrifícios, talento e um espírito de união que somente as grandes causas justificam.

A transferência da sede do governo federal para um espaço então dominado pelo cerrado fazia todo o sentido numa época em que o país se urbanizava rapidamente e, ainda na década de 1960, deixaria de ser predominantemente rural. Nesse sentido, Brasília é o reflexo do seu contexto histórico.

No entanto, ainda mais importante que isso é o fato de Brasília ter sido construída num período em que o país se desenvolvia em ritmo acelerado e se abria a um horizonte de mais prosperidade e justiça social. Concebida como a síntese do Plano de Metas de JK, a cidade, não por acaso batizada de Capital da Esperança, era a materialização de um futuro que deveria se estender a todo o país. Nesse sentido, Brasília é a antecipação de um Brasil melhor para todos.

Combinados, o esforço épico empregado no processo de construção e a vocação de ponta de lança da modernização brasileira constituem o fundamental da identidade de Brasília. No instante em que encerramos as comemorações de seu cinquentenário e voltamos as nossas atenções para os próximos 50 anos, é nesses dois aspectos fundamentais que devemos buscar nossa inspiração.

É preciso ter claro que o imenso potencial empreendedor do povo brasileiro será novamente liberado em sua plenitude apenas se for mais uma vez instigado por um projeto grandioso, que beneficie a todos. Neste momento, o Distrito Federal encerra um ciclo de sua história política, em que, no mais das vezes, predominou não a busca do bem comum, mas o interesse e o privilégio de poucos. Os recentes escândalos de corrupção atingiram em cheio as duas principais vertentes da política tradicional do DF e abriram espaço para as forças políticas progressistas, sintonizadas com a luta pela qualidade de vida do conjunto da população.

São essas forças que têm a capacidade e a responsabilidade, juntamente com os segmentos mais dinâmicos e criativos da população, de elaborar uma nova agenda que, além de contribuir para resgatar a legitimidade da atividade política, reavive os sonhos e redesperte o entusiasmo de brasilienses e candangos. Essa agenda, a ser compartilhada num momento em que o Brasil retoma o crescimento econômico e reduz a desigualdade, deve identificar as tarefas que tornem esse processo consistente e duradouro; nele, Brasília deve assumir a posição de vanguarda que lhe compete por vocação.

Uma agenda da qualidade de vida é amplíssima e inclui a necessidade de implementação de políticas vigorosas e efetivas nas áreas de saúde, segurança, transporte, moradia, meio ambiente, alimentação. Na definição e implementação das ações, a priorização do que realmente impacta positivamente a vida da população e o combate ao desperdício são parâmetros fundamentais.

Na nova agenda, o papel mais dinâmico deverá ser exercido pela oferta de uma educação de qualidade para todos e por uma política de incentivo ao empreendedorismo e à inovação científica e tecnológica. Uma população educada, empreendedora e inovadora está mais apta tanto a fazer o melhor uso do desenvolvimento científico e tecnológico quanto a fornecer os cérebros que irão desbravar as novas fronteiras desse desenvolvimento. Tudo isso é indispensável para que o progresso socioeconômico do país se mantenha pelas próximas décadas e atenda às incontornáveis exigências da sustentabilidade ambiental.

Sob a direção do presidente Lula, o Brasil abriu as portas do futuro. Cabe agora aos brasileiros confirmar as conquistas recentes e promover novos e decisivos avanços; Brasília deve estar à frente, iluminando o caminho, renovando a esperança.

Artigo publicado no jornal Correio Braziliense

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