Técnicas agroecológicas reduzem custos na pecuária
Objetivo é recuperar o solo com técnicas ecologicamente sustentáveis e oferecer alternativas de alimentação para o gado na época em que o capim está seco
Um dos dilemas do assentado da reforma agrária é como alimentar o gado na época da seca. Na maioria das vezes, é necessário comprar ração ou algum tipo de forragem, o que eleva os custos de produção. Foi para resolver esse problema que a Embrapa Meio Ambiente desenvolveu o pastejo rotacionado agroecológico,adotado experimentalmente por produtores rurais assentados das regiões do Pontal do Paranapanema e Andradina, SP.
Esse sistema difere do pastejo convencional por substituir a adubação química, de alto custo, por adubação verde. Em consórcio com as gramíneas, o assentado planta leguminosas, espécies que fixam nitrogênio no solo, contribuindo para recuperar a fertilidade, além de servirem de fonte de proteína para o gado.
Segundo Luiz Octávio Ramos Filho, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o produtor não precisa adquirir uma variedade específica de capim. Ele pode trabalhar com a que já existe no seu lote. Mas, no caso da leguminosa, ele recomenda o estilosante mineirão. “É uma espécie nativa do cerrado, resistente à seca e rica em proteína”, justifica.
A rotação de pastejo é outro princípio utilizado. A área de pastagem é dividida em piquetes. A quantidade de piquetes depende do tempo necessário para a recuperação do capim, variando entre 21 e 30. O gado é solto em um piquete por vez, de modo que, ao chegar ao último, o capim do primeiro já está pronto novamente para o pastejo.
Ramos Filho recomenda ainda o plantio de árvores. “O gado gosta de sombra. Não come quando está muito quente. E as árvores também podem fixar nitrogênio no solo, especialmente se forem leguminosas. Podemos chegar, inclusive, a um sistema silvipastoril”, explica.
Nas experiências realizadas nos assentamentos Timboré, em Andradina, e Água Sumida, em Teodoro Sampaio, em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), os assentados têm registrado ganhos de rendimento de 20 a 30%. “O assentado sai de uma situação ruim, sem manejo e com o custo de adubação, e vai para uma situação em que tem custo menor e sustentabilidade no longo prazo”, conclui o pesquisador.
Fonte: Emprapa - 11/6/2008
