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Amazônia Legal terá fiscalização permanente

by Tarciso Nascimento last modified 2008-02-26 08:16

Palco de um confronto ocorrido há sete dias envolvendo policiais e moradores contrários à fiscalização das madeireiras, Tailândia foi a cidade escolhida para o início da operação

Forças federais iniciaram hoje (26/2) no Pará uma operação de combate ao desmatamento e comércio ilegal de madeira na Amazônia. A ação, que se estenderá por tempo indeterminado, atingirá os 36 municípios da região que mais devastaram florestas no segundo semestre do ano passado.

Palco de um confronto ocorrido há sete dias envolvendo policiais e moradores contrários à fiscalização das madeireiras, Tailândia (a 218 km de Belém) foi a cidade escolhida para o início da operação, batizada de "Arco de Fogo".

O trabalho no município envolve 300 homens da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e do Ibama.

Três helicópteros e cerca de 50 veículos serão usados no apoio às tropas. As aeronaves sobrevoarão a região para mapear as madeireiras, carvoarias e os depósitos clandestinos escondidos na floresta.

A fiscalização, que começa hoje, será feita por quatro equipes formadas por 30 pessoas cada uma. O Ibama no Pará acredita que as cerca de 60 madeireiras de Tailândia possuam em estoque até 50 mil metros cúbicos de madeira ilegal, quantidade suficiente para lotar 3.570 caminhões.

A chegada das forças federais agitou a cidade, de 67 mil habitantes. Os moradores saíram de casa e se enfileiraram às margens da rodovia PA-150, que corta a área urbana, para ver a passagem do comboio.

Nas madeireiras, o clima é de apreensão para empresários e funcionários. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Madeireira de Tailândia, Francisco das Chagas, dos 2.973 empregados do setor com carteira assinada, 2.018 já receberam notificação de demissão.

"Desse jeito, vai ser demitido todo mundo", disse Chagas. Segundo ele, desde o início da fiscalização pelo governo do Estado, há 15 dias, 826 trabalhadores perderam o emprego sem ao menos cumprir aviso prévio. "Queremos negociar férias coletivas ou mesmo licença não-remunerada", disse.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras de Tailândia, João Medeiros, a ação das forças federais deverá agravar ainda mais a situação. "A tendência é haver novas demissões", afirmou.

Medeiros acredita, porém, que a fiscalização "será uma oportunidade para o setor se moralizar e se legalizar". "Também será bom para mostrar ao país o que o governo não fez para melhorar a situação."

A cidade --que, segundo a prefeitura, tem 70% da sua economia lastreada nos ganhos das madeireiras e carvoarias-- reclama do "efeito dominó" provocado pela crise no setor.

"Antes dessa confusão eu faturava R$ 160 por semana", disse o borracheiro Magno Silva Sales, 30. "Agora, sem os caminhões, só ganhei R$ 40 na semana passada", declarou.

Sem carga para transportar, e com o policiamento em alerta, os veículos estão parados nos pátios. Nas estradas, só circulam as carretas contratadas pelo governo estadual para retirar a madeira apreendida.

Hoje, os caminhões transportaram sua carga para um porto fluvial. As toras foram levadas de balsa para um depósito próximo a Belém, onde serão leiloadas. O dinheiro será revertido para equipar as entidades ambientais do Estado.

Fábio Guibu - da Agência Folha, em Tailândia - 26/2/2008


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