O papel do Brasil na discussão do aquecimento global
Discurso realizado no dia 04/12/2007
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB-DF.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, 190 países reúnem-se neste momento em Bali para enfrentar o maior desafio de todos os tempos: as mudanças climáticas provenientes do aquecimento global.
Cientistas e autoridades já concordam que se houver um esforço hercúleo de todas as nações, poderemos conter o aumento da temperatura em 2 graus centígrados até o ano de 2100, o que já provocaria catástrofes imprevisíveis. Há também um consenso entre os cientistas de que os maiores os impactos do aquecimento global ocorrerão nos países pobres e em desenvolvimento.
O que torna este tema mais complexo é que, se todos os países não assumirem suas responsabilidades, pouco adiantará o esforço isolado de alguns. Por exemplo, se o Brasil reduzir drasticamente sua taxa de desmatamento e, consequentemente, suas emissões e, ao mesmo tempo, os Estados Unidos, responsável por quase 30% das emissões do planeta, não fizerem o mesmo, pouco adiantará o nosso esforço.
O fato é que estamos diante de uma globalização perversa, em que os países em desenvolvimento já sentem as conseqüências do aquecimento provocado pelos países industrializados. Recentemente, representando o Congresso Nacional em Londres, juntamente com o deputado Jorge Tadeu Mudalen, num encontro com 34 países, pude testemunhar a posição de respeito que o Brasil possui no cenário internacional.
Afinal de contas, qual é o País com a proporção do Brasil,que possui 46% de sua matriz energética de origem renovável!
A diplomacia brasileira, Sr. Presidente, já deu uma grande contribuição ao País no Protocolo de Kyoto. E tenho a convicção de que existem pessoas preparadas em Bali para defender os interesses do Estado brasileiro, com os olhos voltados para o futuro do planeta.
Recentemente, o Estado de S.Paulo trouxe um caderno sobre a Amazônia, em que mostra os primeiros sinais do grande experimento da biosfera e atmosfera, o LBA, um projeto científico compartilhado por vários países. A reportagem mostrou que a área preservada da Amazônia já é capaz de seqüestrar mais carbono do que todo o emitido pelo País.
Isso fortalece a posição brasileira, no sentido de sermos remunerados pelo desmatamento evitado e, ao mesmo tempo, podermos fortalecer o mecanismo de desenvolvimento limpo, proposta brasileira aprovada no Protocolo de Kyoto.
Creio que também estamos num momento favorável a fazer constar na agenda internacional o fim das barreiras comerciais para os biocombustíveis brasileiros e, ao mesmo tempo, apoiarmos a proposta do Secretário-Geral da ONU, de que se crie um fundo internacional para financiar a adaptação dos países pobres e em desenvolvimento aos impactos das mudanças globais.
Mais do que nunca, está expresso, neste momento, em Bali, o isolamento da posição americana que, com arrogância e de costas para o Planeta, é o único país desenvolvido que ainda não assinou o Protocolo de Kyoto.
Sr. Presidente, cumprimento o Brasil por sua posição, desejando-lhe sucesso nessas negociações. Abre-se, neste momento, uma grande oportunidade para o País.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
