Brasil perde muito com morte de José Mindlin
Discurso realizado no dia 1º/3/2010
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB-DF. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no dia de ontem, faleceu, aos 95 anos de idade, o eminente bibliófilo José Mindlin, que constituiu, ao longo de sua vida, uma biblioteca com mais de 35 mil títulos.
Mindlin era um grade amigo dos livros, o que significa dizer que era um grande amigo da humanidade, já que os livros abrigam, em linhas e entrelinhas, a essência do humano.
Sua amizade pelos livros não era exclusivista: o acesso a sua coleção, que impressionava pela quantidade, mas sobretudo pela qualidade, era facultado a todos os interessados na beleza e profundidade contidas em cada obra. Em 2006, Mindlin doou 17 mil títulos para a Universidade de São Paulo, onde agora há uma biblioteca que leva seu nome e o de sua falecida esposa, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Parte do acervo da Brasiliana será digitalizado e disponibilizado para consulta na Internet, por meio de projeto que conta com o apoio do Ministério da Cultura.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em célebre conferência pronunciada em meados da década de 70, o escritor argentino Jorge Luis Borges afirmou que, de todos os objetos inventados pelos seres humanos, o livro é o único que se configura como um prolongamento de sua imaginação, entendida aí, em sentido amplo, como razão e emoção refinadas. Em virtude disso, o livro está na base da substituição da violência pelo argumento, como meio de resolução dos conflitos, ainda que essa substituição esteja longe de ter sido completada.
Por outro lado, deve-se acrescentar: poucas invenções têm tanto impacto prático quanto o livro. Não é exagero afirmar que a história da civilização se apoia em boa medida sobre páginas, letras e números. Para nos fixarmos em um único aspecto da evolução humana, não teria sido possível, sem o livro, a lenta transição do trabalho bruto, penoso e relativamente improdutivo para as formas de trabalho intensivas em conhecimento e tecnologia e, por isso, poupadoras de recursos naturais.
Assim, o livro se apresenta como nosso aliado fundamental na solução de demandas estratégicas para a sociedade brasileira, como a melhora da qualidade da educação, a inovação científico-tecnológica e a sustentabilidade ambiental. Por tudo isso, Mindlin, bem mais que um bibliófilo, era um autêntico civilizador, naquele mesmo sentido em que Monteiro Lobato afirmava que um país é feito de pessoas e livros.
Junto minha voz de pesar à de todos os que pranteiam a morte desse ilustre brasileiro. Conforta-nos, porém, a convicção de que seu legado está preservado e irá frutificar.
Muito obrigado.





