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Eles saíram das ruas

by Tarciso Nascimento last modified 2007-07-16 11:48

Filhos de famílias desestruturadas, eles passaram a infância totalmente abandonados, mas conseguiram mudar seus destinos

Eles saíram das ruas

Esmeralda Ortiz, ex-menina da Praça da Sé (SP), conseguiu se formar em jornalismo

Um ex-catador de papelão nos tribunais

Ser advogado era o grande sonho de Airton da Costa, de 41 anos. Desde menino, quando catava papelão no depósito de lixo de sua cidade — ele nasceu e viveu em Lins (SP) até os 14 anos —, brincava de ser advogado com as caixas e os papéis que encontrava. Sua vontade era ajudar a comunidade pobre em que vivia. Queria mudar o destino de crianças como ele, que andavam pelas ruas em busca de comida.

Airton tinha uma casa, mas não havia móveis dentro. Todos dormiam no chão. Lá moravam o pai, a mãe e outros oito irmãos. O pai, alcoólatra, não trabalhava nem cuidava dos filhos. A mãe fazia faxinas para tentar pagar o aluguel e as contas. Por isso, ninguém sentia falta dos filhos que vagavam pelas ruas e passavam dias sem aparecer. Sozinhos, pegavam comida no lixo e pediam esmolas.

A escola foi um mundo de transformação para Airton. Ele adorava as letras, aprendia tudo com muita facilidade. Mesmo sem caderno, lápis, livros ou uniforme, ouvia atento ao que a professora dizia. Tinha vontade de compreender tudo. As boas notas nas provas refletiam a dedicação do aluno. “Me sentia bem na escola, porque era bem tratado. Mas era difícil acompanhar o conteúdo sem material”, relembra.

Aos 14 anos, o estudante decidiu mudar aquela trajetória. Conseguiu emprego em uma indústria de Birigüi, cidade próxima a Lins. Fez um curso de torneiro mecânico e ganhou uma profissão. Ajudava a mãe de longe e pretendia dar uma guinada na vida. Como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, perdeu um dos dedos da mão direita numa guilhotina quando tinha 15 anos. Mudou-se para São Paulo, ganhou bolsas de estudo e fez inúmeros cursos profissionalizantes. Na cidade grande, enfrentou o desemprego, a fome e a miséria. Mais uma vez, mudou de cidade. Foi para Diadema.

A partir de então, Airton decidiu trabalhar o máximo que conseguisse para juntar dinheiro e bancar uma faculdade. Entrou para o curso de direito em uma instituição particular da cidade. Não imaginava o quão difícil seria pagar as mensalidades. Conseguiu uma vaga no programa de financiamento estudantil, o Fies, mas ainda sim, os custos pesavam no orçamento. Mas passou no vestibular sem fazer cursinho, mesmo porque não tinha dinheiro para pagar. Fez a graduação com muita dificuldade, porque trabalhava à noite e estudava durante o dia.

O fim dessa história é cheio de alegrias: Airton se formou, estudou um pouco mais e foi aprovado no Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em agosto de 2006, que aprovou apenas 6,6% dos bacharéis. Hoje, trabalha no Conselho Tutelar, atua em um escritório de advocacia e faz uma pós-graduação (ele ganhou uma bolsa de estudos). “Foi uma vitória muito grande. Eu não acordei até hoje”, brinca.

Emocionado, ele lembra de sua luta com orgulho. Venceu as adversidades, comprou uma casa para sua mãe e se tornou exemplo para a família. Inclusive para sua filha, Natália, de 13 anos. Com o trabalho no conselho, ele espera mostrar às crianças que elas podem traçar um futuro diferente. “Quero ajudar as pessoas e penso em me tornar vereador”, conta.

Profissão Repórter

A infância de Esmeralda Ortiz não foi muito diferente da de milhares de crianças no Brasil. Cresceu na rua. Dormia debaixo de papelões na Praça da Sé, no centro da cidade de São Paulo. Seus pais bebiam, se drogavam e batiam nela. Ela foi estuprada inúmeras vezes, se drogou e roubou bastante. Durante 10 anos, teve várias passagens pela Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). Aos 17, foi entrevistada pelo repórter Caco Barcellos, da Rede Globo, quando ele fazia uma matéria sobre o consumo de crack. Naquela época, Esmeralda ainda usava roupas de menino, para evitar a violência das ruas.

Mas por sorte ou ironia do destino, aceitou participar da ONG Cidade Escola Aprendiz. Passou seis anos lá, onde dava aulas de grafite. A organização ajudou Esmeralda a fazer um supletivo e terminar seus estudos secundários. “Quando tinha uns 18 anos, mal sabia escrever meu nome”, lembra. Ela estudou e, aos 22, com a ajuda do jornalista Gilberto Dimenstein, diretor pedagógico da ONG, entrou no curso de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi.

Conseguiu uma bolsa na faculdade, mas nem sempre tinha dinheiro para pegar ônibus. “Às vezes eu conversava com o motorista e ele deixava eu ir na frente, sem pagar. Outras, eu ia a pé mesmo.” No meio do seu curso, engravidou. Passou boa parte do último ano tendo que levar o filho, Kadu Abayomi, para as aulas. Ao longo desse tempo, Esmeralda escreveu dois livros: Esmeralda, por que não dancei, em parceria com Dimenstein, onde conta sua história, e Diário da rua, destinado a jovens leitores.

Depois de formada, conseguiu um emprego na área de comunicação de uma ONG que cuida de meninos e meninas em situação de rua. Após um ano, o mesmo jornalista que tinha entrevistado Esmeralda 13 anos antes, a chamou para participar do quadro Profissão Repórter, do programa Fantástico da Rede Globo. Em sua primeira aparição, em maio deste ano, ficou encarregada de tentar falar com o vocalista do grupo Racionais MC’s, o rapper Mano Brown, conhecido por não dar entrevistas à grande imprensa. Mas sua reportagem mudou de foco quando uma confusão entre policiais e o público terminou no quebra-quebra da madrugada de 6 de maio na Praça da Sé.

Ela foi chamada outras duas vezes, uma para falar sobre a sua história e outra para ajudar a entrevistar usuários de drogas na Cracolândia, região da cidade de São Paulo, onde o consumo de crack é disseminado. “Para mim foi uma experiência muito interessante. Quando via esse tipo de matéria, era sempre de dados estatísticos. Mas de repente eu estava lá na Globo, mostrando o outro lado, que já fui eu”, conta. “Antes, eu pensava que o máximo que conseguiria quando saísse da rua era arranjar um emprego como doméstica.”

Ele foi à luta

A história do pedagogo Valney Carlos de Oliveira se resume à palavra luta. Desde menino, lutou para ajudar a sustentar sua família, lutou para estudar, lutou para sobreviver ao perigo que corria no caminho da escola, lutou para entrar na universidade, lutou para não ficar em depressão na cidade grande, lutou para se formar. Aos 32 anos de idade, o pedagogo se sente, de verdade, um vencedor. A felicidade proporcionada pela superação está estampada no sorriso que exibe o tempo todo.

Valney nasceu em uma fazenda nas redondezas da cidade de Formosa, em Goiás. Cresceu em uma comunidade rural, onde moravam os trabalhadores de uma indústria de tijolos. Ele e os oito irmãos perderam o pai cedo. Valney tinha apenas nove anos de idade. Logo começou a trabalhar na cerâmica para ajudar a mãe. Na escola local concluiu o ensino fundamental. Depois, ficou 10 anos sem freqüentar os bancos escolares.

No ano 2000, ele decidiu encarar outro desafio: sair de casa todos os dias, depois do cansativo trabalho de oito horas na cerâmica, pedalar 15 quilômetros até uma escola em Formosa e concluir o ensino médio. Mesmo contra a família, que temia pela vida de Valney (ele tinha de percorrer o trecho em uma rodovia), ele não desistiu. Ganhou até bolsas de estudo em um colégio particular. Ele queria uma vaga na Universidade de Brasília (UnB).

Para se preparar para o Programa de Avaliação Seriada (PAS), ele estudava todos os dias — quando chegava da escola— até as 3h. Não saía com os amigos nos finais de semana. Sua vida se resumia aos livros. O esforço valeu a pena. O jovem sonhador foi aprovado em pedagogia. Era o primeiro da família a entrar na universidade. Em Brasília, conseguiu uma vaga na Casa do Estudante Universitário (CEU) na UnB, uma bolsa de permanência (à época de R$ 97) e se esforçou para manter boas notas no curso.

A trajetória na capital não trouxe só alegrias. A falta de dinheiro para se sustentar, adquirir material escolar e a preocupação com a mãe e os sobrinhos que ficaram na chácara o deixaram em depressão. Valney quase desistiu de tudo. Um estágio no Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe/UnB) e uma bolsa de pesquisa lhe deram ânimo novo. A renda subiu para R$ 630.

No dia da formatura, a família veio em peso para Brasília. A mãe de Valney chorou durante toda a cerimônia. Ele já tinha esgotado as lágrimas antes, durante o ensaio. “Para quem passou por tanta dificuldade, chegar a um momento desses é gratificante. Sempre tive um lema: se lutar, eu consigo”, ensina. Com o canudo nas mãos, a batalha agora é por um emprego melhor. Ele trabalha como estagiário técnico no Cespe e faz um curso de especialização. O mestrado será seu próximo passo. Ele tem a certeza, sentida pelos vitoriosos, de que conseguirá o que quiser na vida.

Garoto obstinado

Rodrigo Santana, de 29 anos, aprendeu a correr atrás dos próprios sonhos desde menino. Seus pais, uma merendeira e um dono de armazém, mantinham o básico dentro de casa, mas não podiam oferecer nenhum luxo para os três filhos. Aos 13 anos, Rodrigo começou a vender picolés pelas ruas de Anápolis, cidade onde a família morava. Com o dinheiro, comprava os supérfluos que os pais não podiam lhe dar.

O trabalho, no entanto, não atrapalhava os estudos de Rodrigo. Apesar de só ter concluído a 4ª série do ensino fundamental, sua mãe era uma mulher de visão. Mostrava aos filhos que a escola deveria estar em primeiro lugar. Ainda adolescente, ele se inscreveu em um curso de mecânico. Passou a trabalhar em uma oficina durante o dia e a estudar à noite. Prestes a terminar o ensino médio, ele prestou um concurso para se tornar soldado da Aeronáutica. Foi aprovado.

Na mesma época, fez vestibular para a Universidade Estadual de Goiás (UEG). Escolheu o curso de economia porque não acreditava que seria aprovado em engenharia civil, curso que ambicionava. “Eu achava que não teria potencial”, comenta. Rodrigo aprendeu a conciliar o trabalho e os estudos e seguiu em frente. Em 2001, ele foi aprovado em outro concurso militar. Entrou na Escola de Sargento das Armas, do Exército, e se mudou para Três Corações (MG).

Depois de 10 meses, Rodrigo pediu transferência para Brasília. Queria terminar o curso na UnB e se preparar para concursos públicos. Para concluir o curso, que era diurno, pediu um horário especial no quartel. Concluiu a graduação em 2004. Trabalhava das 13h às 21h. No alojamento, estudava até tarde. Nos finais de semana, enquanto todos saíam para descansar, ele continuava em cima dos livros e apostilas para concursos. Nada tirava o jovem de seus objetivos.

O resultado foi a aprovação em dois concursos: a Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ele escolheu a Aneel, onde atua na área econômica. No futuro, ele não descarta a possibilidade de tentar outros concursos, em busca de salários melhores. Capacidade e determinação, ele sabe que tem. “Vim de uma família de baixa renda, então , tudo que conquistava era bom. Acho que, com esforço, alcancei objetivos. O estudo melhorou tudo”, afirma.

Vida nova

Ricardo Ferreira Silva, de 29 anos, conhece bem o significado da palavra recomeço. Em 1992, quando tinha 14 anos, sua família se mudou de Uberlândia para Goiânia, depois de perder quase tudo. O pai, que trabalhava em um multinacional e oferecia uma boa condição de vida à família, havia perdido o emprego por conta de uma doença hepática rara que adquiriu, a hemocromatose. Em Goiânia, perto dos parentes, eles buscaram apoio e tratamento.

Os três filhos do casal tiveram de estudar em escolas públicas. Ricardo, o mais velho, conseguiu um estágio e um emprego para a mãe que, até então, era dona-de-casa. Todo o dinheiro servia para custear as despesas da casa. Em 1994, quando o jovem chegou ao 3º ano do ensino médio, o pai de Ricardo fez questão de pagar uma escola particular, com o intuito de garantir a aprovação no vestibular. “Meu pai dizia que educação é a única coisa que ninguém tira de ninguém”, relembra.

Nesse mesmo ano, o pai faleceu. Ricardo não foi aprovado no vestibular para computação e teve a primeira de muitas crises de depressão que viriam pela frente. Em 1995, ele tentou uma vaga em engenharia elétrica na UnB e conseguiu. Ficou hospedado na casa de parentes até que saísse sua vaga na Casa do Estudante Universitário.

A trajetória de Ricardo na universidade não foi nada fácil. Oscilou muito entre o sucesso e insucesso. Teve excelentes notas em certas disciplinas, mas inúmeras reprovações em outras, por conta da depressão. Passou por estágios e foi funcionário público, porém teve de largar tudo e ficou muito tempo desempregado. Trocou de curso duas vezes e só concluiu a graduação em computação no ano passado.

Agora, o jovem foi aprovado em um concurso público. Ele conta que a mãe sente que cumpriu sua missão. Os dois irmãos de Ricardo também se formaram. A irmã, em medicina e o irmão, em agronomia. “Depois de tantos tropeços, deu tudo certo. Acho que foi força de vontade e espiritualidade. Estou ajudando minha mãe a reformar a casa dela e me sinto realizado”, define.

Ex-vendedor de cocadas

Apaixonado pelos estudos, Cristian José Oliveira Santos, de 30 anos, nunca se conformou à falsa idéia de que os estudantes pobres não chegam à universidade pública. Filho de um carpinteiro e uma doceira, ele e as cinco irmãs possuíam o básico para sobreviver. Ele vendia cocadas pela vizinhança para pegar ônibus e ir à escola. Mas não desanimava. Queria chegar à UnB. “Para o meu pai, eu era sonhador demais. Mas a minha mãe dava o maior apoio”, conta.

Bom aluno, Cristian estudava como podia. Ia para a biblioteca pública de Brazlândia — onde nasceu e morou até o ano de 2005 — e se debruçava sobre livros antigos e apostilas velhas para se preparar para o vestibular. O jovem escolheu o curso de biblioteconomia porque queria viver em volta dos livros. No primeiro vestibular, foi aprovado. A partir daí, surgiram outras dificuldades. O transporte difícil, a falta de dinheiro para pagar passagens e adquirir livros. No primeiro semestre, Cristian precisava ir a pé da UnB até a rodoviária à noite para pegar o ônibus para Brazlândia.

Na metade do curso, a vida começou a mudar. Cristian conseguiu um estágio. Com o primeiro salário, bancou um cursinho preparatório para concurso. Passou na prova e se tornou técnico judiciário no Tribunal de Justiça do DF. Freqüentava as aulas pela manhã, trabalhava à tarde e à noite, estudava sozinho. Em pouco tempo, foi aprovado em um concurso para bibliotecário no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele melhorou a qualidade de vida da família. Construiu uma casa na Candangolândia e comprou um carro.

Cristian não parou mais. Formou-se também em letras-francês e está terminando o curso de tradução. Fez um mestrado em ciência da informação — sua tese ganhou um prêmio argentino e vai virar livro — e está começando um doutorado em literatura. Estudou inglês, espanhol, italiano, hebraico e russo. Ganhou uma bolsa de estudos e morou no Canadá por três meses e até passou em uma seleção para a Escola Arquivística do Vaticano.

“Com o tempo, me tornei um referencial em casa. Aquela prova de que um pobre pode vencer e ter mobilidade social. Acho que Deus me permitiu mostrar meu potencial e as dificuldades não me deixaram amargo com a vida”, disse.

De olho na carreira diplomática

Quando deixou a cidade de Irecê, na Bahia, para estudar ciências sociais na UnB, Cristiano Celestino Dourado Borges, 24 anos, não imaginava o que seria de seu futuro profissional. Muito menos, que teria chances de se tornar um diplomata. Cristiano cresceu em um município próximo de Irecê, chamado América Dourada. Morava com a mãe, que trabalha como merendeira em uma escola, e mais quatro irmãos. A mãe, que ganhava pouco mais de um salário mínimo, sustentava sozinha a família.

A mãe de Cristiano sempre valorizou a escola. Estimulava os filhos a seguirem em frente. Por isso, deu apoio quando o filho foi aprovado no Programa de Avaliação Seriada (PAS) e quis morar na capital. Passou o primeiro mês hospedado na casa de uns parentes. Na seqüência, conseguiu uma vaga na Casa do Estudante Universitário. O antropólogo, que também se formou na habilitação de licenciatura em ciências sociais, ressalta que as políticas de assistência estudantil oferecidas pela UnB foram fundamentais para a sua permanência na capital. “Seria impossível sem essa ajuda”, destaca.

Durante toda a graduação, ele almoçou e jantou no Restaurante Universitário por R$ 0,50 e participou do programa de bolsa-permanência. Depois, trabalhou na Caixa Econômica Federal e, por fim, na Procuradoria Geral da República. Além de melhorar a renda, os estágios lhe deram experiência profissional. Os amigos que fez na moradia estudantil ajudaram a tornar os dias mais alegres e a saudade da família, que só via nas férias, menor.

Cristiano se formou no ano passado. Foi agraciado também com a aprovação na seleção bolsa-prêmio de vocação para a carreira diplomática para afrodescendentes. São bolsas oferecidas pelo Instituto Rio Branco a jovens que desejam se tornar diplomatas. Com o dinheiro, os selecionados têm de custear cursos, alimentação e moradia. “Sempre achei a carreira diplomática interessante, mas acreditava que estava muito distante de mim”, comenta.

Além de se dedicar para o concurso do Instituto Rio Branco, Cristiano faz um mestrado em antropologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Modesto, ele atribui suas vitórias às políticas públicas de assistência e ao incentivo familiar. “Por fim, fiz um pouco de esforço também”, conclui sorrindo.
 


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