Economia Solidária resgata arte afro-descendente (ASN)
Ação do Sebrae/BA e do Banco do Brasil também contempla, em projeto-piloto, cultura de terreiros e quilombos baianos
Uma iniciativa que alia inclusão social à valorização da arte e da cultura da Bahia. O Projeto de Empreendedores da Economia Solidária, desenvolvido pelo Sebrae na Bahia desde 2006 em parceria com o Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) do Banco do Brasil, promove o trabalho de 14 cooperativas e associações localizadas principalmente no Bairro da Paz, em Salvador. O Sebrae/BA também começou um projeto com 200 terreiros e quilombos para geração de emprego e renda para estas comunidades.
“Nossa meta é promover o desenvolvimento no sentido mais amplo, para melhorar o quadro social em que essas pessoas vivem e formar uma grande rede sustentável de economia solidária com qualidade na produção para chegar ao mercado”, explica Dimara Dantas, gestora local do projeto. O ‘Empreendedores da Economia Solidária’ faz parte da Carteira de Comércio do Sebrae/BA.
O projeto trabalha com associações de diversos ramos. A Cooperativa Semente da Paz produz peças de artesanato a partir de material reciclado como papel jornal. A Cultura Artes e Percussão (CAP) cria instrumentos musicais de percussão como berimbau, pau-de-chuva e surdo. A Cooperativa NOVODENOVO constrói móveis como poltronas e pufs com garrafas PET. A Cooperativa Raízes do Povo de Israel (COOPRPI) é formada por mulheres que costuram e bordam bolsas.
O programa leva capacitação em gestão empresarial às associações e cooperativas participantes. Também promove os produtos criados por estes artesãos e artistas em desfiles de moda e feiras. As cooperativas de economia solidária apoiadas pelo Sebrae puderam mostrar um pouco de seu trabalho na Feira do Empreendedor de Salvador, no estande da Carteira de Comércio, realizada de 8 a 11 de novembro.
Quando alguém compra um dos produtos apoiados pelo projeto recebe um cartão que traz uma sinopse sobre a cooperativa que criou aquele artigo junto com os contatos como telefone, endereço e e-mail. “Os produtos que trabalhamos não são comerciais. Eles agregam um valor social e trazem junto uma história de vida cheia de luta”, afirma Dimara Dantas.
Indumentárias
Em 2007 o Sebrae/BA incluiu no Projeto Empreendedores da Economia Solidária 200 terreiros e quilombos baianos. A ação acontece em caráter piloto. Dimara Dantas informa que a intenção do Sebrae é atingir futuramente um universo de 1,2 mil quilombos e terreiros. A iniciativa estabelece parceria com a Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu).
O Sebrae/BA decidiu iniciar o projeto depois de ser procurado pelos representantes dos quilombos e terreiros. “Muitas dessas pessoas, como os pais de santo, estão passando necessidade”, revela a gestora.
As comunidades que vivem nos terreiros mantêm uma rica produção cultural e religiosa de peças artesanais, como bonecos que simbolizam os orixás, e indumentárias para os rituais de candomblé, como roupas, coroas, braceletes e colares. Mesmo assim não sobrevivem de seu ofício. “Por não terem um perfil empreendedor, os artesãos não conseguem se auto-sustentar. O Sebrae quer passar para eles noções importantes da gestão de um negócio, como a formação de preços”, explica Dimara Dantas.
Ex-membro da Timbalada, Luís Augusto comanda a entidade Cultura, Artes e Percussão (CAP). Junto com oito jovens trabalha com 50 meninos do Bairro da Paz. Eles fabricam seus instrumentos para geração de renda e uso próprio em apresentações. Luís agradece o apoio que tem recebido com o Projeto Empreendedores da Economia Solidária. “O Sebrae está nos mostrando como entrar no mundo dos negócios por meio da arte e da cultura”, diz.
A costureira Áurea Barreto, do Centro de Caboclo Sultão dos Matos, também elogia o apoio do Sebrae. “Estamos tendo a oportunidade de mostrar os nossos produtos”, afirma. “Nos eventos em que o Sebrae nos leva, nos aproximamos do público”, conta Leonice Jesus da Silva, que costura e borda com palha da costa, material que vem da África.
“Ganhei um apoio importante para caminhar com meus próprios passos”, comenta Jadson Dias, artesão que, a partir de materiais como cobre, lata e latão, cria braceletes e outros artefatos para rituais de candomblé.
Marcelo Araújo - Agência Sebrae de Notícias (ASN) - 13/11/2007
Serviço:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7494 e (61) 2107-9362
Sebrae/BA - (71) 3320-4300
Moda Afro Cidadã/Associação do Lobato – (71) 3218-6967
Colibris Calçados – Artefatos de Couro – (71) 8124-8672
Cooperativa de Catadores e Reciclagem de Resíduos Sólidos e Agentes Ambientalistas do Bairro da Paz (Cooperpaz) – (71) 9931-6842
Cooperativa Raízes do Povo de Israel (COOPRPI) – (71) 3392-3774
Cooperativa de Produtos e Serviços para a Construção Civil (CPS) – (71) 3368-0476
Cooperativa NOVODENOVO – (71) 3621-1692 / 9902-6395
Cultura, Artes e Percussão (CAP) – (71) 8853-3661 e (71) 3368-2609
Cooperativa Semente da Paz – Artesanato em Papel Jornal e Outros Materiais Reciclados – (71) 4151-5138 / 9103-7058
