*/ Senador de Bras?lia:Nomeação de Dom João Braz de Aviz como cardeal da Igreja Católica
 
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Atualizado em :23/02/2012
Nomeação de Dom João Braz de Aviz como cardeal da Igreja Católica
 
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Muito obrigado, Sr. Presidente, Senador Waldemir Moka, Srªs e Srs. Senadores, quero hoje fazer um registro de uma importante notícia para o Brasil, especialmente para nós, brasilienses, que foi a nomeação de Dom João Braz de Aviz como um dos mais novos cardeais da Igreja Católica. 

Dom João Braz foi o único latino a assumir o posto nessa leva de 22 novos cardeais nomeados pelo Papa Bento XVI, que podem, no futuro, suceder o pontífice. E assumiu já com posições marcantes em defesa dos povos da América Latina. Em sua primeira entrevista, afirmou que a Europa deve voltar a mostrar uma atitude mais fraternal para com os outros continentes e parar de olhar por cima dos outros.

Dom João Braz não hesitou em questionar também o continente que agora oficializa a sua atuação. "Quanto tempo mais vamos ser liderados pela Europa e pelos Estados Unidos? Não se pode pensar que a América Latina, a Ásia e a África não mudaram, que ainda são colônias ou Terceiro Mundo”, afirmou o novo Cardeal, numa atitude corajosa, que reflete um espírito inovador construído em uma história de vida com muitas superações.

Aos 65 anos, Dom João Braz de Aviz tem origens humildes, é filho de açougueiro e não é um brasileiro de uma só raiz. Ele viveu um pouco dos diferentes Brasis, passando por suas origens em Santa Catarina, pelos estudos teológicos em São Paulo e pela atuação marcante em nossa capital, Brasília, onde foi bispo emérito, durante seis anos, antes de ir ao Vaticano, entre 2004 e 2010, onde deixou uma legião de admiradores e onde teve uma posição muito firme, especialmente na defesa dos mais humildes, especialmente na defesa de uma política justa, na defesa dos princípios da Lei da Ficha Limpa.

Ontem fiquei muito tocado ao acessar uma entrevista que ele deu à Rádio Vaticano, em que fala da força que encontrou na família para enfrentar as dificuldades e batalhar pela vida religiosa. Permitam-me, Srªs e Srs. Senadores, citar um breve trecho dessa entrevista, em que ele diz: Eu fui aprendendo esse caminho da disponibilidade. Eu mudei muito de lugar, ganhei diocese, perdi diocese, perdi seminário, ganhei Cátedra para ensinar, perdi depois de um ano. Minha vida é um "rebuliço”, mas numa direção só e até hoje é assim e essa firmeza tenho no coração. Sobre isso, eu não tenho dúvida.Nenhum de nós que pudemos conviver, durante seis anos, com Dom João Braz de Aviz, aqui, em Brasília, também temos dúvidas. 

Considero esse um verdadeiro testemunho de fé e humanidade. A grande mensagem do novo Cardeal, independente da diversidade de crenças e religiões que o Brasil e o mundo possam ter, fez-se universal pela afirmação humana de superação. 

Por isso, hoje, quero dedicar a esse novo Cardeal brasileiro inscrito no Colégio Cardinalício uma frase muito inspiradora do grande pensador Edgar Morin, que reflete o seu compromisso com o novo sentido de civilidade. Morin diz que "civilizar é solidarizar a terra, transformar o humano em humanidade”. 

Quero assim encerrar, Sr. Presidente, esse breve registro e fazer os meus melhores votos para que ele continue a cumprir a sua missão, que, de certa forma, já vinha exercendo. Mas agora, oficializada pelo Vaticano na condição de Cardeal, que confirmou a confiança na atuação desse brasileiro que tanto prega a comunhão e o diálogo como caminho de fortalecimento e solução para problemas do mundo e da humanidade. Que tenha boa sorte nessa nova missão.

Quero também, Sr. Presidente, aproveitar este momento para fazer um registro do tema adotado pela Igreja Católica para a Campanha da Fraternidade deste ano. 

A Quaresma, por ser, tradicionalmente, um período destinado à reflexão sobre aspectos religiosos de nossa passagem pelo mundo terreno, tem servido, já há algumas décadas, para as campanhas deflagradas anualmente pela Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil.

Essas campanhas são realizadas com finalidades sociais específicas e seu objetivo é despertar o espírito de solidariedade dos fiéis e da sociedade em relação a um problema concreto que aflige grande parte da população, enfatizando ainda o empenho na busca de alívio duradouro para os necessitados.

Considero essas campanhas uma iniciativa louvável e que deve ter a maior abrangência possível, envolvendo os mais diversos setores da sociedade, independentemente do credo que professem. 

O tema escolhido para a Campanha da Fraternidade de 2012 – Fraternidade e Saúde Pública – deve mobilizar, além das entidades religiosas e outros setores da sociedade, também o Governo e o Congresso Nacional.

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o embrião da Campanha da Fraternidade foi uma iniciativa isolada, que merece o nosso reconhecimento. Em 1962, três padres responsáveis pela Cáritas Brasileira deflagraram um movimento para arrecadar recursos para as atividades assistenciais e promocionais dessa instituição, de forma a dar-lhe autonomia financeira.

A campanha pela arrecadação de recursos foi realizada durante a Quaresma daquele ano, em Natal, no Rio Grande do Norte, com a adesão de outras três dioceses próximas. Já no ano seguinte, participaram 16 dioceses do Nordeste. Foi essa a origem da Campanha da Fraternidade.

Em nível nacional, a campanha teve sua primeira edição na Quaresma de 1964. Em dezembro do mesmo ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assumiu a responsabilidade por esse projeto com realização anual.

A Campanha da Fraternidade tem-se mostrado, desde 1962, ano de sua primeira edição, uma atividade ampla de evangelização desenvolvida num período determinado, a Quaresma, para ajudar os cristãos e as pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos, com enfoque num programa específico, que envolva todos na busca de melhorias para toda a sociedade.

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, para o ano de 2012, o tema escolhido foi "Fraternidade e Saúde Pública”. A partir desse tema, desenvolveu-se o seguinte objetivo: "Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção dos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde”.

É importante que se dê atenção à saúde integral das pessoas, e é isso que visa a Campanha da Fraternidade de 2012. Sem dúvida, a saúde, há muito tempo, vem se destacando como uma das principais demandas da sociedade em termos de políticas públicas. O Sistema Único de Saúde (SUS), instituído como grande conquista pela Constituição brasileira de 1988, apesar de elogiável em sua concepção, vem deixando muito a desejar em sua implantação. Ainda falta muito para que ele possa revestir-se concretamente da característica de um sistema universal em relação a todos os brasileiros.

A obrigação do Estado quanto à prestação dos serviços de saúde não dispensa a atuação da sociedade na busca pela equidade e na prestação da caridade aos mais necessitados. Corroborando as palavras do Sumo Pontífice Bento XVI: "Não há qualquer ordenamento estatal que possa tornar supérfluo o serviço do amor”.

Já na Campanha da Fraternidade realizada em 1981, com o tema "Saúde para Todos”, o Papa João Paulo II havia escrito sua mensagem incluindo a seguinte afirmação:Boa saúde não é apenas ausência de doenças: é vida plenamente vivida, em todas as suas dimensões, pessoais e sociais.

Como o contrário, a falta de saúde, não é só a presença da dor ou do mal físico. Há tantos nossos irmãos enfermos, por causas inevitáveis ou evitáveis, a sofrer, paralisados, "à beira do caminho”, à espera da misericórdia do próximo, sem a qual jamais poderão superar o estado de "semimortos”.

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a Igreja Católica não somente dá ideias, mas procura atuar objetivamente para a melhora das condições de vida da população, principalmente dos mais carentes.

Entre as metas propostas pela Organização das Nações Unidas, do início dos anos 1990 até 2015, encontram-se a redução da mortalidade infantil e a melhoria da saúde materna. Nesse aspecto, o Brasil conseguiu um resultado expressivo, pois, de 69,12 óbitos por mil nascidos vivos em 1980, caiu para 19,88 em 2010, conforme dados da revista The Lancet,constantes do estudo Saúde no Brasil. Essa redução de 71,23% é atribuída, além da implantação do SUS, a uma maior participação da sociedade e ao incentivo ao aleitamento materno.

Porém, em 2010, o índice de mortalidade infantil nas áreas assistidas pela Pastoral da Criança foi de 9,5 mortes para cada mil nascidos, menos de metade da média nacional. Uma das razões apontadas para essa redução é o trabalho solidário e contínuo de inúmeros voluntários na promoção de ações básicas de saúde, com destaque para a campanha de incentivo à utilização do soro caseiro e do aleitamento materno. Nesse trabalho estão sempre presentes a fé e o espírito de solidariedade, indispensáveis para ajudar as pessoas carentes.

Srª Presidenta, Srªs e Srs. Senadores, quero aqui registrar os meus cumprimentos à Igreja Católica, dizendo que devemos refletir sobre as diversas dimensões da saúde. País que tem enormes desafios a enfrentar no saneamento urbano, indispensável para garantir a saúde de um conjunto grande da população, já que grande parte das doenças brasileiras são de veiculação hídrica; a saúde do trânsito, a necessidade de termos um trânsito seguro, porque, hoje, parte grande dos atendimentos dos politraumatizados nos hospitais é em função de um trânsito extremamente violento. Daí a importância também de garantirmos educaçao para o trânsito, civilidade no trânsito; e diversas outras abordagens, como a própria saúde do meio ambiente.

Mas fica aqui o nosso registro e a nossa congratulação com a Igreja Católica pela escolha desse tema tão importante e tão caro para a população brasileira.

Muito obrigado, Srª Presidenta.
Fonte:
 
 
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