*/ Senador de Bras?lia:Brasília merece o título de patrimônio cultural da humanidade
 
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Atualizado em :06/02/2012
Brasília merece o título de patrimônio cultural da humanidade
 
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, Brasília, em 1987, foi declarada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco a partir de uma gestão, de um movimento iniciado pelo então Governador José Aparecido de Oliveira.
 
Brasília deverá para sempre esse gesto, essa visão do então Governador José Aparecido que previu a importância, primeiro, de propor isso à Unesco. Todas as razões, Senador Aloysio Nunes Ferreira, que mostrava a singularidade de Brasília como projeto urbanístico e foi o primeiro bem moderno tombado como patrimônio cultural da humanidade.

Brasília é detentora da maior área tombada do mundo. São 112 km² e se não fosse aquele gesto visionário proposto pelo então Governador José Aparecido, endossado, reconhecido, pela Unesco, certamente a cidade já teria sido completamente degradada pela volúpia da especulação imobiliária.

No próximo mês, agora no mês de março, a Unesco enviará a Brasília equipe para fazer uma vistoria em todo o conjunto urbanístico da cidade e avaliar se Brasília deve entrar na lista dos patrimônios ameaçados, em função dos diversos desrespeitos que vêm acontecendo ao longo de anos. 

Há dez anos, nós já tivemos aqui uma delegação da Unesco que fez uma série de recomendações, mas, por motivos vários, especialmente em função das várias crises políticas que o Distrito Federal vem enfrentando nos últimos anos, esses problemas, ou não foram enfrentados, ou muitos deles até foram agravados: problemas como a invasão de áreas públicas, recorrente em todo o Distrito Federal, especialmente no Plano Piloto, a ocupação inadequada do Lago Paranoá, nas margens do Lago Paranoá, o mau estado de conservação dos monumentos, frutos da genialidade de Oscar Niemeyer. 

Mas eu quero registrar que a posição da população do Distrito Federal, a posição da população de Brasília é, sem dúvida alguma, de entender que Brasília deve continuar como patrimônio cultural da humanidade e que devemos todos cobrar das autoridades, do Governo do Distrito Federal e das autoridades federais, e da população, de uma forma geral, todas as providências para que Brasília não perca esse reconhecimento internacional.

Brasília, como disse, é fruto da genialidade do povo brasileiro. É uma cidade absolutamente singular. Não existe nenhuma cidade no mundo parecida com Brasília. E, sob a liderança do então Presidente Juscelino Kubitschek, um dos maiores estadistas que este Brasil já produziu, o Presidente Juscelino conseguiu reunir, de uma vez só, personalidades geniais, como Lúcio Costa, o grande urbanista da cidade, como Oscar Niemeyer, o grande arquiteto, como Athos Bulcão, grande artista, como Burle Marx, grande paisagista, 

Enfim, além de empreendedores, como Israel Pinheiro, como Bernardo Sayão, milhares e milhares de candangos pioneiros vieram de todos os lugares do Brasil para construir a nossa capital. Foi assim, através dos traços de Lúcio Costa que se constituiu Brasília, com quatro escalas que precisam ser compreendidas, não apenas pelos brasilienses, mas por todos os brasileiros: a escala residencial, a escala monumental, a escala gregária, a escala bucólica, todas elas formando um conjunto que dão harmonia, dão leveza e dão qualidade de vida a esta cidade.

Daí a importância de o Governo do Distrito Federal investir forte em educação patrimonial para que, desde criança, as pessoas que moram nesta cidade e que se afeiçoam a esta cidade naturalmente, porque os moradores de Brasília adoram esta cidade, possam compreender conceitualmente, teoricamente, os pressupostos que constituíram Brasília uma cidade singular e uma cidade patrimônio cultural da humanidade.

Infelizmente, a nossa cidade, ao longo dos anos, convive também com a elite, sobretudo uma elite empresarial da área imobiliária que aposta na especulação imobiliária e que busca, ao longo dos anos, lucros de forma exagerada, desrespeitando o tombamento da cidade. Está aí a importância de se manter o tombamento a partir de uma compreensão, como disse muito bem, de forma muito feliz, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha do Lúcio Costa, que Brasília deve ser preservada não porque é tombada, mas ela é tombada, porque merece ser preservada.

E cabe a todos nós desta cidade, às instituições, como a Universidade de Brasília e as demais universidades, ao meio político, ao meio empresarial, ao setor produtivo, a todos aqueles que verdadeiramente gostam desta cidade, perceber a importância de conceber um modelo de desenvolvimento compatível com a manutenção de Brasília como patrimônio cultural da humanidade, retirando proveito da condição de patrimônio cultural da humanidade.

Esta cidade tem uma vocação enorme para o turismo, para o turismo cívico, para o turismo de eventos. Nós estamos aqui no centro do país. Setenta por cento dos vôos nacionais fazem escala no Distrito Federal. Não há nenhum lugar neste país mais propício para a realização de grandes eventos de caráter científico do que o Distrito Federal.

A facilidade, Senador Aloysio, de um Senador, de um Deputado, de o Presidente da República, de um Ministro de Estado participar de um congresso, a repercussão imediata das decisões desses congressos, a proximidade do setor hoteleiro com o Centro de Convenções, com o centro das decisões, fazem de Brasília um local vocacionado para ser um grande centro de eventos do País, do turismo cívico, como é feito na cidade de Washington. 

E aqui eu quero registrar com muita gratidão a contribuição dada pelo Senador Aloysio Nunes Ferreira, não sei nem se ele se lembra disso, quando ainda era chefe da Casa Civil do Presidente Fernando Henrique Cardoso, e eu tinha sido secretário de turismo do Distrito Federal, ainda na gestão do então Governador Cristovam, quando iniciamos um grande movimento pela abertura de todos os monumentos à visitação pública, começando pelo Senado Federal, quando o Presidente Sarney, à época Presidente do Senado, demonstrou grande sensibilidade e determinou a abertura do Senado à visitação pública, inclusive aos finais de semana, 15 dias depois, após a nossa audiência, seguido da Câmara dos Deputados, do Supremo Tribunal Federal, iniciamos uma grande campanha também pela abertura à visitação pública do Palácio do Planalto.

Essa luta durou anos, sem que houvesse sensibilidade para isso. Até que o Ministro Aloysio Nunes, demonstrando a sua sensibilidade e o seu compromisso com Brasília, determinou a abertura do Palácio do Planalto à visitação pública. E num gesto de muita elegância, de que não esqueço jamais, me convidou, eu já era Deputado Distrital nessa época, para que eu fizesse esse anúncio público à imprensa da abertura do Palácio do Planalto à visitação pública.

Ouço, com muita alegria, o Senador Aloysio Nunes.

O Sr. Aloysio Nunes Ferreira (Bloco/PSDB – SP) – Senador Rodrigo Rollemberg, agradeço imensamente a lembrança de V. Exª desse episódio que eu não havia esquecido. Lembro-me perfeitamente da sua luta e das suas gestões para que o Palácio do Planalto, que afinal de contas é o palácio do povo brasileiro, pudesse ser aberto à visitação. Lembro-me perfeitamente desse episódio, do qual me orgulho, e quero dizer para o senhor que a partir daquele momento, daquele nosso diálogo, passei a acompanhar a sua trajetória política, que é para mim motivo de grande alegria e de grande proveito pessoal, político, intelectual a convivência com V. Exª nesta Casa. Muito obrigado.

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF) – Fico muito honrado, Senador Aloysio Nunes. V. Exª sabe da minha admiração pelo seu trabalho e a minha gratidão por aquele gesto, não comigo, mas com a população do Distrito Federal. 
Eu me refiro ao turismo cívico e peço licença para relatar dois momentos muito emocionantes que vivi neste momento, envolvendo inclusive, um deles, esta Casa. Houve um determinado momento, Senador Aloizio Nunes, em que o Movimento Sem-Terra fez um grande acampamento no Distrito Federal, onde hoje é o Museu da República. Eles vieram acompanhados das famílias e crianças e solicitaram uma visita ao Senado Federal.

Eu resolvi acompanhar cerca de 60 crianças do Movimento Sem-Terra, todas de forma muito organizada, de caderninho na mão, sandálias havaianas, todas vestidas muito simplesmente. E entraram no Plenário do Senado. Eu gostaria de ter filmado a expressão de todas aquelas crianças quando entraram neste Plenário e conheceram a exuberância deste Senado. Mas aprenderam também com os guias desta Casa a importância do Poder Legislativo para a democracia do nosso País. 

Eu vivi também um outro momento inesquecível em relação ao turismo cívico quando tive também a oportunidade de acompanhar também um grupo de idosos da cidade de Ceilãndia, quando foram visitar o Itamaraty. E, no meio da visita, Senador Paulo Paim, um senhor começou a chorar convulsivamente. Todos nós ficamos preocupados e quando nos aproximamos para perguntar o motivo do seu choro ele nos revelou que havia participado da construção do Itamaraty e jamais havia entrado naquele palácio. Ele também certamente se emocionou com a beleza e monumentalidade do Palácio do Itamaraty, que é uma das obras mais bonitas de Oscar Niemayer.

Toda vez, Senador Paulo Paim, que vem um urbanista estrangeiro ao Distrito Federal, eu além de mostrar esses monumentos maravilhosos, essa esplanada, que é a expressão da monumentalidade desenvolvida por Lúcio Costa, há uma singularidade de Brasília que eu gosto de mostrar os urbanistas. Brasília é a única cidade que eu conheço, de todas as que eu visitei no mundo, em que você descendo do seu apartamento, você não tem uma calçada e uma rua. Você tem grandes espaços, grandes áreas verdes onde você pode caminhar, você vai a uma escola ou a um cinema, na concepção de unidades familiares. Você pode ir ao comércio sem atravessar uma única rua, andando literalmente em um parque. É uma cidade extremamente arborizada.

Brasília é fruto da ousadia dos brasileiros. Tradicionalmente, tivemos uma cultura de copiar os modelos europeus, os modelos americanos. Brasília é a afirmação de uma identidade nacional, de um projeto nacional. Brasília é fruto dessa singularidade, dessa ousadia, dessa sensibilidade, desse talento dos brasileiros que se reuniram aqui para construir esta nossa capital, sob a liderança do Presidente Juscelino Kubitscheck.

Seria uma desonra enorme para a nossa cidade, seria uma perda cultural, seria uma perda econômica de extrema gravidade se Brasília perdesse a sua condição de patrimônio cultural da humanidade. Portanto, é obrigação de todos os brasilienses e, mais que dos brasilienses, é obrigação de todos os brasileiros se unirem em defesa de Brasília como patrimônio cultural da humanidade. 

Temos de fazer o que for preciso. Temos de enfrentar o poder econômico, temos de enfrentar a especulação imobiliária para que esta cidade que é fruto do esforço de todos os brasileiros que vieram para cá construir esta cidade continue como patrimônio cultural da humanidade. Que a cidade se aproveite dessa condição do ponto de vista econômico, para, através de ações inteligentes, transformando Brasília numa vanguarda do desenvolvimento tecnológico nacional, num grande centro turístico internacional do turismo civismo e do turismo de eventos, poder se aproveitar da sua vocação como capital.

É esse convite, Sr. Presidente, que eu gostaria de fazer a todos os Senadores. Peço o apoio de todos os Senadores que moram nesta cidade, que residem aqui, que passam grande parte de sua semana aqui, que construíram com Brasília uma relação de muita afetividade. A responsabilidade de manutenção de Brasília como patrimônio cultural da humanidade é uma responsabilidade de todo o País.

Muito obrigado, Sr. Presidente.
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