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Atualizado em :21/05/2013
Filmes inspirados em Renato Russo homenageiam a nossa Capital
 
Brasília recebeu duas homenagens especiais no cinema nacional. Foram lançados neste mês dois filmes inspirados em um dos artistas mais consagrados e emblemáticos da nossa capital, o cantor e compositor Renato Russo. De formas distintas, as obras humanizam narrativas da capital na virada dos anos 70 para os 80, época marcada pela ditadura e por profundas contradições sociais que revelam a formação desigual da nossa cidade, mas também a extrema força cultural, que destacou Brasília como berço e expoente do rock nacional.

Refiro-me ao filme "Somos tão Jovens”, do diretor Antonio Carlos da Fontoura, que narra as descobertas e conflitos da vida do Renato Russo até se tornar o mito da Legião Urbana, e ao filme "Faroeste Caboclo”, que se baseia na música homônima composta em 1979 por ele, para fazer uma contundente e atual reflexão e crítica sobre a desigualdade social em Brasília, pela face mais trágica da violência e do tráfico de drogas, que ainda assolam a vida da capital como consequências de um processo caótico e desordenado de crescimento.
 
Fui assistir, Sra Presidente, aos dois filmes e saí profundamente tocado como filho de Brasília, como parte desta geração, como um brasiliense apaixonado não só pela cidade, mas por sua capacidade inovadora de provocar mudanças na vida do país. Seja no traço urbanístico da cidade, seja na vanguarda do rock aqui produzido, seja na diversidade que marca a vida cultural da cidade, seja na vocação agregadora de Brasília, que reúne e processa diferentes Brasis numa mistura autêntica, já com cara e sotaque próprio.
 
Essa Brasília humana, ainda pouco difundida nacionalmente em sua dimensão mais real e cotidiana, foi mais do que um pano de fundo para a realização desses filmes, foi uma personagem, uma protagonista mesmo, porque aparece não só nas imagens das superquadras, da rodoviária, da Esplanada, das antigas satélites e do barro vermelho do Cerrado, mas no esteio da formação e da expressão de uma juventude que marcou um momento importante da vida brasileira, de retomada democrática.
 
As duas obras, com propostas diferentes, mostram o retrato de uma geração que foi muito além da mera atitude contestatória. Uma geração que não foi às ruas e não se engajou na militância dos movimentos de esquerda, nem na estética tropicalista que a antecedeu – mas agregou uma reflexão crítica num ambiente pós-utópico, no qual as grandes ideologias e sonhos revolucionários perdiam espaço por uma nova representação social e política na transição para a redemocratização. Vivíamos num clima paradoxal de esperança e incertezas.
 
Uma geração que pode até ter sido desengajada, em termos de projeto, mas que foi profundamente comprometida em "atitudes” questionadoras, na construção de uma cidadania crítica, em torno da qual se formou uma nova identidade cultural da juventude brasileira. Foi uma geração que se mostrou impregnada por questões existenciais vividas na contradição de uma sociedade de consumo e na necessidade de um novo protagonismo político. E o fizeram na experimentação cultural, na criação musical inovadora e libertária, numa nova estética de protesto e reflexão.
 
O filme "Somos tão jovens” busca relatar este momento da história do país a partir de um recorte biográfico da formação musical de Renato Russo e das bandas de rock que surgiam da Turma da Colina. Vários jovens, em geral filhos de diplomatas, professores e servidores públicos, que, influenciados pelo punk inglês, se reuniam embaixo dos prédios universitários de Brasília para fazer música. Assim nasceu a primeira banda do Renato Russo, chamada Aborto Elétrico, e as bandas Plebe Rude e Capital Inicial, dentre várias outras.
 
O filme me emocionou muito não só pela minha vivência na cidade, mas também pelo testemunho desses jovens. Não há dúvida de que muitos brasilienses se enxergaram na cidade pela trajetória de Renato Russo. Os atores do filme têm uma atuação impecável e conseguem nos envolver emocionalmente na trama de anseios e conflitos que marcaram a transformação do garoto solitário e melancólico do Plano Piloto em um dos maiores ídolos nacionais. O cinema brasileiro devia esta homenagem a este grande artista, que agora vem se somar ao premiado e bem-sucedido documentário "Rock Brasília”, dirigido pelo grande cineasta da capital, Vladimir Carvalho.
 
Pela revolução e evolução do Renato Russo, milhares de jovens brasileiros refletiam sobre a realidade social, política e econômica do País. E também experimentavam uma arte extremamente autêntica, musicalmente inovadora, que sacudia massas e ao mesmo tempo consciências. É o caso emblemático da canção Faroeste Caboclo, para citar apenas um exemplo, que é praticamente um rock-cordel, com 159 versos e nove minutos de duração, cantada de cor e salteado por jovens de todo o País. Um desafio para qualquer músico, porque consegue dialogar a estética da harmonia simples e competente com a riqueza simbólica e literária da narrativa e uma aguçada crítica social. Um fenômeno – em sua força musical, estética e social – para toda uma geração de jovens no Brasil.
 
Uma música tão rica em conteúdo e imagens estava mesmo à espera de um filme. E o diretor René Sampaio se superou nesta adaptação que, como ele mesmo afirma, não é um "vídeoclip” da música "Faroeste Caboclo”, mas uma leitura livre, criativa e altamente provocadora, que narra a saga de um migrante que, após uma infância difícil e rodeada de violência no Nordeste brasileiro, veio para Brasília, onde se depara com a realidade subversiva e violenta do tráfico e com a força de uma paixão.
 
A trama é carregada de críticas sociais, seja na dimensão do êxodo rural do sertão, seja no drama diário da discriminação racial, seja no retrato extremamente atual da desigualdade social no DF, ainda que seja uma história situada na década de 70. A trama de violência que sustenta o tráfico de drogas e a tragédia cotidiana do mundo da exclusão são humanizados na ficção por uma história de amor, vingança e ódio, com tudo para se tornar um épico candango. 
 
Do ponto de vista cinematográfico, é inegável sua contribuição para a elevação da qualidade técnica, para o aprimoramento de uma dramaturgia realista e para o desenvolvimento de uma narrativa moderna de cinema de ação, na esteira do que representaram filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite. O roteiro muito bem construído e a atuação espetacular dos atores envolvem o público do início ao fim, com um diferencial no próprio cinema pelas referências do faroeste, pela fotografia arrojada, a exploração bem-sucedida da paisagem da Brasília e o diálogo preciso das dimensões regionais brasileiras com elementos globais da cultura urbana. 
 
Além disso, foi um filme feito por um cineasta que é brasiliense, nascido na capital, o diretor René Sampaio. Trata-se do seu primeiro longa-metragem que já nasce com um patamar de qualidade que certamente o projetará no circuito nacional e internacional, com sucesso de público garantido. O filme "Somos tão Jovens” também tem as mãos de um talento local, Marcelo Torres, que fez a produção executiva da obra. Ambos mostram a força e o talento da produção cinematográfica de Brasília, que hoje carece de estrutura e apoio. 
 
Neste sentido, um descaso injustificável é a situação de absoluto abandono que se encontra o pólo de cinema de Sobradinho. Criado para incentivar a produção de filmes na capital do país, o prédio que abriga o pólo não passa por reformas há 20 anos, com estruturas enferrujadas, vidros quebrados, além de estar sem partes do teto. 
 
E a situação é cada vez pior. Os vazamentos no telhado do pólo já destruíram cenários de duas produções brasilienses. E a deterioração da estrutura física do espaço é apenas a parte mais visível de uma política do audiovisual ainda tímida e atrofiada. Fazer cinema em Brasília é muito difícil, além dos baixos investimentos, faltam salas de cinema na cidade. O cinema aqui é reflexo da exclusão cultural. As salas que temos estão basicamente no Plano Piloto e, quase exclusivamente, em shoppings. As produções brasilienses têm crescido significativamente, mas não há locais de exibição para esses filmes. Só temos basicamente o Festival de Cinema e algumas mostras, mas não há um circuito permanente para escoar essa produção. Para se ter ideia, até mesmo no último Festival de Cinema de Brasília foi selecionada apenas uma produção local. 
 
O brasiliense e produtor executivo do filme "Somos tão jovens”, Marcelo Torres, declarou sua frustração à imprensa durante as filmagens da obra. Na ocasião, em 2011, disse: "quando filmamos Louco por cinema (de André Luís de Oliveira, em 1994) no polo, tínhamos a esperança de que o mercado cinematográfico em Brasília iria melhorar ao longo dos anos. Era essa a sensação. Nós voltamos agora para fazer uma produção que vai levar a imagem da cidade para o resto do país e encontramos tudo deteriorado”. Um depoimento como este é apenas um relato da insatisfação geral da classe cinematográfica do DF. Não é de se espantar quando se sabe que as filmagens de "Somos tão jovens” e também de "Faroeste caboclo”, apesar gerarem movimentação econômica em Brasília, tiveram o giro de capital muito menor do que poderia ter sido se aqui encontrassem estrutura para isso.

Esperamos que o sucesso desses filmes seja mais um estímulo e um alerta para a importância de se valorizar e  alavancar a indústria do cinema no Distrito federal, que além de ser uma expressão simbólica e cultural importantíssima para a projeção da nossa capital, está atrelada a uma indústria geradora de renda e divisas, formadora de mão de obra e serviços especializados, estratégicos para o desenvolvimento do DF.
 
Os filmes brasileiros superaram o status de ‘gênero’ cinematográfico ao alcançar competitividade para seduzir e conquistar o público nacional com uma oferta diversificada e uma inserção cada vez maior no mercado mundial. Brasília tem capacidade e talento de sobra para se fortalecer não só na cadeia de difusão, mas também na produção do cinema brasileiro. Que esses dois sucessos que agora homenagearam nossa capital possam abrir uma fase promissora para o cinema de Brasília e que sejam o estímulo para, um dia, o Distrito Federal assumir seus talentos com apoio, estrutura e políticas de governo no audiovisual de uma cidade que se traduz pela imagem e por sua cultura.
 
Muito obrigado.

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