*/ Senador de Bras?lia:Festa do Divino faz circular as graças do Espírito Santo
 
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Atualizado em :20/05/2013
Festa do Divino faz circular as graças do Espírito Santo
 
Prezados Senadores e Senadoras, eu subo à tribuna nesta tarde de hoje para fazer alguns registros de eventos importantes que aconteceram neste final de semana no Distrito Federal e que já fazem parte da cultura da nossa cidade.
 
Registro a concessão, pelo Governo do Distrito Federal, do título de Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal à Festa do Divino; e a realização de mais uma celebração de Pentecostes, no Taguaparque, em Taguatinga, com a participação estimada de dois milhões de pessoas ao longo do final de semana, realmente um fenômeno.

Em primeiro lugar, eu quero cumprimentar os alferes, responsáveis pela Festa do Divino no meio rural, Diógenes e Camila, e os festeiros, os foliões da cidade, Diogo e Jamel, sua esposa, e, em nome destes, cumprimentar todos aqueles que fazem dessa festa não apenas uma celebração religiosa, mas uma celebração cultural da maior importância.
 
Nesse domingo, Sr. Presidente, a Festa do Divino Espírito Santo de Planaltina foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal, um reconhecimento há tempo esperado pelos planaltinenses que, há mais de cem anos, antes mesmo da inauguração de Brasília, realizam o festejo envolvendo toda a comunidade e se mantendo, principalmente, pela força do povo, independentemente de apoio oficial.
 
Todos os anos, participo dos festejos, como católico que sou e também pela minha ligação profunda com a vida daquela cidade, com o meio rural, e fico impressionado com a extraordinária capacidade de mobilização da festa, que vai muito além da sua dimensão propriamente religiosa e mostra uma marca, uma identidade cultural planaltinense, que a difere de outras festas do Divino celebradas no Centro-Oeste e em outras regiões do País, como as célebres festas de Pirenópolis, em Goiás; Parati, no Rio de Janeiro; São Luiz do Paraitinga, Mogi das Cruzes e Tietê, em São Paulo.
 
A Festa do Divino Espírito Santo, em Planaltina, já é considerada uma das maiores manifestações de devoção ao Divino Espírito Santo no Brasil, envolvendo a cada ano toda a cidade de Planaltina. A cidade faz a festa e a festa faz a cidade. Através dela se marca o tempo, se reproduzem estruturas sociais e se conforma uma identidade própria planaltinense, um jeito próprio de viver e sentir o mundo, onde não há um tempo antes e um tempo depois da festa, nem distâncias intransponíveis entre o catolicismo oficial e a fé popular. A força simbólica e cultural é a maior expressão do festejo, coroada por um profundo vínculo solidário que se estabelece nos foliões.
 
Ver de perto essa apropriação tão singular de uma tradição centenária do Brasil, junto a essa vocação generosa de Planaltina, é, sem dúvida, uma das grandes emoções que sentimos no Distrito Federal.
 
A Folia do Divino faz circular as graças do Espírito Santo, que se multiplicam, movendo-se pelo campo e pela cidade, aproximando vizinhos e parentes por meio da fartura, da fé e da cooperação. A festa é solidária. Nela só se acumula para redistribuir, seja qual for o lugar que cada um ocupa dentro dos festejos.

 Essa é a forma de agradecer ao Divino e também a certeza de receber suas bênçãos, seja como imperador ou cozinheiro, ou como folião, ou fogueteiro, ou cavaleiro. A devoção ao Divino explica a festa e a festa explica a cidade.
 
Eu digo sempre que a Festa do Divino é uma festa que uma pessoa sozinha, mesmo com muito dinheiro, milionária, se quiser fazer essa festa, ela não consegue fazer, porque é uma festa, sobretudo, da cooperação, em que as pessoas doam seu trabalho, as pessoas fazem as doações dos alimentos para essa grande comunhão que acontece durante a Festa do Divino.
 
Uma tradição que já ganhou tanta força em nossa região, que também se realiza em outras cidades do DF, especialmente naquelas com maior extensão rural, como o Gama, São Sebastião e Brazlândia.
 
Há também registro de paróquias e famílias em outras cidades, como no Guará, que organizam Festas do Divino, trazendo foliões de suas cidades de origem.
 
No Velho Testamento, Pentecostes era a festa judaica de colheita do trigo, celebrando sua maturação e colheita sete domingos ou cinquenta dias após a Páscoa, com oferendas e sacrifícios.
 
Na história bíblica, foi num domingo de Pentecostes que a Virgem Maria e os doze apóstolos de Cristo receberam o Espírito Santo sob a forma de línguas de fogo e, falando em numerosas línguas, dispersaram sua fé pelo mundo.
 
De origem medieval portuguesa, celebrada por D. Isabel, a Rainha Santa, casada com o Rei de Portugal, Dom Dinis, que, na época, coroou, simbolicamente, o imperador e dois reis em um convento franciscano da Vila de Alenquer.
 
E esse império do divino saiu, então, para as ruas, ao som de trombetas, acompanhado por uma multidão, começando ali uma longa tradição de celebrações religiosas que foram, depois, levadas ao Arquipélago de Açores, no início da expansão marítima lusitana, e também ao Brasil, com os primeiros registros, em terras brasileiras, datados do século XVIII.
 
A Festa do Divino Espírito Santo encontrou sua expressão em diversas cidades brasileiras. Seu processo ritual compreende três fases estruturais: a folia, o império e as cavalhadas. Cada uma delas apropriada e regionalizada pelas comunidades que mantêm a tradição secular do festejo.
 
A distribuição de alimentos define a estética e a ética da festa, como gesto de caridade e símbolo maior de abundância e cooperação, bem como na história que inspira essa tradição.
 
Pela história, uma criança é coroada como imperador e, investida de poder, resolve, como primeiro ato, abrir as portas da cidade e, em seguida, promover um grande banquete aos pobres.
 
São apenas situações de uma festa popular de fundo religioso, mas que poderiam servir como instigante metáfora à vida política do País, pela reflexão do poder em seu vínculo real e legítimo com a sociedade, que é o que dá sentido ao nosso mandato e a qualquer cargo público exercido no Estado brasileiro.
 
O imperador, na Festa do Divino, encarna a bondade, a solidariedade e o espírito de cooperação como valores fundamentais. Para isso, investe-se de relação com o sagrado, um caminho e um exercício absolutamente necessários à vida pública, que não deveriam ser apenas ritualizados numa manifestação como a Festa do Divino, mas a prática diária na relação cotidiana que tecemos com o coletivo.
 
Na Festa do Divino, todos são envolvidos e tudo é compartilhado. E ver isso se manifestar na prática é sempre uma emoção muito especial: a cidade se reconcilia com o seu entorno, com o seu contraditório sistema de valores, na tentativa de resgatar um passado mais tolerável e a síntese de momentos relevantes da história goiana, de uma época considerada de ouro.
 
Se, em Portugal do século XVI, comemorava-se o futuro, em Planaltina, celebra-se o passado no futuro, e isso é de uma riqueza simbólica muito grande.
 
Por todos esses valores simbólicos que fazem a Folia do Divino, e não apenas por seu valor estritamente turístico e sua dimensão de espetáculo que a coloca no calendário oficial do GDF, o reconhecimento dessa manifestação foi uma grande conquista para a comunidade de Planaltina.
 
Esse patrimônio celebrado é muito maior que a Folia do Divino. Também diz respeito à diversidade cultural do Brasil, à abertura às diversas visões de mundo e formas de transmissão de conhecimento, autogestão e autonomia dos processos de preservação e ao fortalecimento dos vínculos do patrimônio com a vida cotidiana.
 
São saberes, fazeres, tradições, sons e linguagens tipicamente brasileiros, fruto de criações coletivas que passam a ser reconhecidas e tomadas como riqueza nacional a ser preservada e difundida.
 
Parabenizo o povo de Planaltina e de todo o Distrito Federal. Tive a oportunidade, como sempre faço de ir várias vezes a alguns pousos de folia ao longo desta semana. Tive a oportunidade de chegar montado, como os foliões da roça, na chegada a Planaltina, participar do tradicional café da manhã oferecido há muitos anos, há dezenas de anos, pelo Sr. Souza Lima e pela sua esposa, Evânia, que resgataram a tradição da Festa do Divino e atendem, como atendem todos os pouseiros: com muita solidariedade, com muita abundância, com muita fartura. Ali, todos são tratados de forma absolutamente igual, independentemente do cargo que exerçam, independentemente da sua importância na vida social. Todos, ali, são tratados igualmente e todos são tratados com muita generosidade, com muito acolhimento.
 
Quero fazer minha homenagem a todos os moradores de Planaltina citando aqui alguns festeiros que foram fundamentais para o sucesso desta folia de 2013: o Paraco Padre Paulo Renato – responsável pela paróquia São Sebastião de Planaltina/DF; o imperador Bento Lourenço e a imperatriz, Alcimar Jardim; os foliões de rua Diogo Salgado e Jamel; Diógenes Cardoso e Camila (foliões da roça), Joaquim Luis de Sousa (guia da folia de roça) e Aécio da Silva Campos (um dos mais velhos dos festeiros, de 74 anos). Também quero citar os noveneiros Joaquim Nogueira e Veluziana de Castro, Edson e Lucilene Brasileiro, Manuel e Marlene, Nélio Renato Nogueira e Águida Neide, Kênia e família, Adenilton e Eduarda Sardinha, Waltênio Marques e Gorete Trindade, e os mordomos do largo – Saulo e Lucíola – os mordomos do mastro – Ricardo Andrade e Simone Nogueira – os mordomos da fogueira – Luiz Carlos e Wilma Meyre – e os mordomos das barracas – André Salgado e Telma de Souza.
 
Tivemos também um grandíssimo evento, que se está tornando um fenômeno de público, ao qual estava presente o Senador Romero Jucá, o Senador Gim, o Governador do DF e vários outros parlamentares do Distrito Federal: a celebração de Pentecostes. Comandada pelo Pe. Moacir Anastácio, a celebração é um verdadeiro fenômeno de público, uma coisa impressionante.
 
Estima-se que dois milhões de pessoas passaram pelo Taguapark ao longo desses dois dias de celebração de Pentecostes.  Era este o registro que eu gostaria de fazer. 


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