*/ Senador de Bras?lia:Dia Nacional do Reggae confirma a vocação plural do Brasil
 
http://twitter.com/rollembergpsb http://www.facebook.com/pages/Rodrigo-Rollemberg/211341845581927 http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=3314995351568856873 http://www.youtube.com/rollembergpsb http://www.flickr.com/photos/rodrigorollemberg
 
Discursos
         
Tamanho do texto
Atualizado em :10/05/2013
Dia Nacional do Reggae confirma a vocação plural do Brasil
 
Tenho hoje a celebrar e compartilhar a imensa honra de comemorar o primeiro ano de criação do Dia Nacional do Reggae, uma lei de minha autoria, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em maio do ano passado.

O que me moveu para marcar esta expressão artística vem de um sentimento profundo de compreender o reggae como expressão além da estética, do ritmo, suas letras cheias de liberdade e o quanto de vida ele traduz das comunidades que se recusam à exclusão dos guetos para dizerem: "sim, nós existimos! sim, nós resistimos e estamos presentes com a nossa cultura”. 
 
O reggae afirma a sua força social quando mostra realidades locais em um discurso estético de cidadania, não só de afirmação étnica e de inclusão, mas de afirmação de direitos humanos. Pela música, assim como o hip-hop, pela atitude de coragem contra o preconceito e a repressão, o reggae ressoa na voz de milhares de pessoas o quanto verdades podem ser ditas também com beleza.
 
Especialmente no Brasil – e em Brasília – a diversidade cultural absorve, recria, transforma e reinventa meios de expressão para afirmar a força de um país potencializado pela alma mestiça que não ficou parada no tempo: a cultura brasileira renova-se com todas as influências e nelas imprime seu sotaque particular.
 
Há um reggae universal e muitos reggaes refletidos por realidades e cores regionais. O que importa é que, na base, está um traço comum de fraternidade comum por justiça, paz, união e liberdade. 
 
Estados como o Maranhão e a Bahia, onde se mostra com mais vitalidade, o reggae assume diferentes leituras e reapropriações musicais ao consentir a proximidade com xote sertanejo, e pelo resto do País ganha em cada canto, uma nova cara, ao se mesclar ao rap urbano, aos bailes de gaitas do sul e à vivência dos campos cerrados, sob este imenso céu do Planalto Central, como cantam os Natiruts. 
 
O Dia Nacional do Reggae confirma a vocação plural do Brasil. Nossa formação identitária cria uma possibilidade original de nação com a ousadia dos que amam a terra sem a limitação das fronteiras e buscam uma nova geração representada por valores humanitários do respeito aos direitos humanos, culturais e ambientais.
 
Por isso, fiz questão de oficializar esta celebração no calendário nacional, não só pela força revolucionária do reggae no Brasil enquanto gênero musical, crítica social, ou filosofia humanista, mas pelo profundo vínculo que esta expressão conseguiu estabelecer em nossa formação identitária, na expressão de nossa diversidade cultural. 
 
E no Dia Nacional do Reggae não podemos deixar de fazer a nossa reverência maior ao mestre Bob Marley, como o esteio criador dessa corrente de vibrações positivas para o mundo, sendo ele o expoente máximo dessa expressão. 
 
Marley cantou e praticou os direitos culturais emergentes de multidão de seres humanos e, em alguma medida, semeou a coragem por um projeto de sociedade feito de ascensão social, igualdade e direitos sociais ampliados e renovados. Nesse sentido, sua música é uma declaração não oficial por um novo sentido de humanidade.
 
Ele cantou não só pelos jamaicanos, cantou pelos negros espalhados pelas Américas, pela diáspora forçada pela escravidão, cantou pelos pobres de todo o mundo. E sua música atingiu a todos, sem discriminação social ou racial. Marley revelou como a cultura de origem africana não tem vocação para a segregação, mas é uma força includente, capaz de espelhar um sentimento de identificação e agregação. E conseguiu, com muita sensibilidade, unir o discurso à alma, conscientizou pela emoção e pela palavra.
 
Tem uma letra de Marley que me toca muito, de sua música chamada Guerra (War), em que ele diz: 
 
Até que a filosofia que sustenta uma raça
Superior e outra inferior
seja finalmente e permanentemente 
desacreditada e abandonada,
haverá guerra, eu digo guerra. 
Até que não existam cidadãos 
de 1º e 2º classe de qualquer nação, 
até que a cor da pele de um homem 
Seja menos significante do que a cor dos seus olhos,
haverá guerra. 

Marley se referia ali ao sentido menos literal e mais simbólico da guerra, enraizado como prática cotidiana de uma sociedade patologicamente individualista, que precisa passar por profundas mudanças individuais para, de fato, alcançar a mudança coletiva e global que se almeja no mundo. Em sua outra canção, Exodus, ele vai ainda mais fundo, e diz: "Abra os olhos e olhe-se por dentro. Você está satisfeito com a vida que leva?”
 
Eis uma pergunta chave para iniciar um processo de mudança. Um sinal para a inquietação. Saber que a realidade pode ser outra se cada um agir, mudar, de verdade, de dentro pra fora. 
 
Foi isso que fez Bob Marley. Educado nas ruas, conseguiu reverter a perversa realidade que lhe queria como "mais um derrotado” nas periferias dos centros de poder. Deixou um testemunho de luta e combate para revelar a grandeza da pessoa – nasça onde ela nascer. O que a sua arte nos diz é que todos podem se, de fato, se dispuserem a ser a convivência mais solidária, a ter a expressão mais libertária.
 
A mensagem do Reggae que é de autonomia e autodeterminação. Convida a busca de uma cidadania política e estética plena. Faz uma leitura simbólica da sociedade pelos valores culturais. Pois não haverá nação próspera sem identidade soberana. Uma identidade, como inúmeras canções insinuam, fundada na tolerância, na amorosa relação de respeito e encantamento pela diferença que nos ensina a percepção do outro e a dádiva de sermos imperfeitos para crescermos com o que nos complementa. 
 
O Dia Nacional do Reggae coloca em pauta uma agenda de protagonismo do povo brasileiro. Vivemos tempos onde a voz da periferia se dá em voz direta, alto e bom som, em todos os setores da sociedade. E lembrar que periferia é conceito puramente geográfico, pois a cultura é uma teia de muitos nós e variadas tramas e rendas. Por isso periferia é centro quando assume sua posição central de ator principal.
 
O Dia Nacional do Reggae avisa que as comunidades cansaram de esperar a oportunidade que nunca chega. Não estão mais passivas, suportando modelos impostos que vem de fora pra dentro, dos grandes centros e domínios. Como o reggae e lembro mais uma vez o hip-hop, que são comunidades que tem vozes próprias,  que querem ampliar seus canais, que dialogam com todas as instâncias de poder, que são ativas na consciência crítica e sabem chegar ao ponto da questão sem precisar de intermediários.
 
Esta é a raiz do que nos inspirou para celebrar este Dia Nacional do Reggae, que a cada ano vem nos inspirar com ideais e provocações construtivas, com cooperações afirmativas, relações inclusivas e muitas, muitas, vibrações positivas.

Fonte:
 
 
fazer comentario comentários
imprimir

 

Mais Discurso
A FACA DO FAC - [29/04/2014]
Dia do Artesão - [19/03/2014]

 
   Últimas Notícias
Cidadania
Rollemberg cobra nomeação de aprovados em concurso do Senado
Pesquisas
Rollemberg comenta pesquisa que aponta insatisfação dos brasileiros com questões básicas
Distrito Federal
Ministério Público e pesquisadores defendem manutenção da área da Embrapa Cerrados
Cidadania
Senado debate ameaça de retirada da Embrapa Cerrados
Política
PSB e Rede apresentam diretrizes de programa de governo para o DF
Ciência e Tecnologia
Embrapa inaugura Banco Genético e comemora os 41 anos da empresa
Política
Elogios a decisão do STF sobre CPI exclusiva para Petrobras
Distrito Federal
Rollemberg lembra aniversário de Brasília e prega o fim da desigualdade no DF
Política
Oposição indica servidor do Senado para vaga de ministro do TCU
Cidadania
Rollemberg: Datafolha revela declínio econômico resultante dos erros de Dilma
Educação
CPI com investigação ampla enfraquece o Legislativo, afirma Rollemberg
Meio Ambiente
Números de relatório sobre mudança climática do IPCC são alarmantes, alerta Rollemberg
PSB
Rollemberg explica posição do PSB em relação à CPI da Petrobras
Distrito Federal
Senador alerta para risco de criação de novas cidades no DF
Cidadania
Rollemberg defende regulamentação profissional de artesãos

Vídeo

 

footer_down_01