*/ Senador de Bras?lia:O hip hop assume uma força política e social sem precedentes
 
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Atualizado em :13/11/2012
O hip hop assume uma força política e social sem precedentes
 

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Muito obrigado, Senador Tomás Correia, que preside esta sessão, cumprimento V. Exª. Cumprimento a Senadora Lídice da Mata, parabenizando-a pelo seu pronunciamento. Cumprimento os demais Senadores e Senadoras, os ouvintes da Rádio Senado e os telespectadores da TV Senado.

 

Senador Randolfe, nós vivemos hoje um momento diferente na Câmara dos Deputados, numa audiência pública proporcionada pelo Deputado Romário, que mais uma vez demonstra muita sensibilidade para com as causas sociais, especialmente dando oportunidade de voz a uma parcela da população brasileira que tem muito dificuldade de ser ouvida. Eu me refiro ao encontro, realizado há pouco na Câmara dos Deputados, que contou com a presença também do Senador Suplicy, do Deputado Romário, do Deputado Domingos Neto, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Juventude, da Márcia Rollemberg, Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, de diversos outros Parlamentares, de representantes da Secretaria da Igualdade Racial do Ministério do Trabalho, mas especialmente de muitas lideranças representativas do Movimento Hip Hop brasileiro, em comemoração ao Dia Mundial do Hip Hop, que foi ontem, e ao mesmo tempo para discutir assuntos de interesse da sociedade brasileira.

 

Tivemos a oportunidade de ouvir as participações do rapper Wood, do GOG, da DJ Donna, do MC Ox, do Bboy campeão mundial Will Robson, do Rivas, grafiteiro, da Ninne Ribeiro, da MC Charilaine, do Big Richard, do Lewis, enfim, de diversas outras pessoas que estiveram ali presentes, representando todos esses segmentos do Movimento Hip Hop, os MCs, os DJs, os Bboys, os grafiteiros, representando a música, a dança e a arte da pintura.

 

É importante ouvir essa população, população que, como disse, se encontra marginalizada, com pouquíssimas oportunidades, que quer ser ouvida e tem muita dificuldade de ser ouvida.

 

No processo em que vivemos, de violência urbana cada vez maior, em que a vítima maior dessa violência urbana são os jovens da periferia, sobretudo, os jovens negros da periferia. O que querem esses jovens, representados no Movimento Hip Hop? Eles querem políticas públicas, políticas públicas que possam reconhecê-los como sujeitos importantes da sociedade e como importantes na construção dessas políticas públicas.

 

Nesse sentido, o Deputado Romário tem liderado esse processo de uma forma muito positiva. Ali naquela reunião surgiu a ideia de se criar um fórum permanente para discutir essas questões, que vão desde a elaboração de políticas públicas até a flexibilização, hoje no regulamento da Ordem dos Músicos, por exemplo, para que essas pessoas que trabalham, sobretudo os MCs sejam incorporados, reconhecidos como músicos, que as atividades culturais promovidas pelos Movimentos Hip Hop também sejam beneficiadas pela Lei Rouanet, além, é claro, de políticas, de empregos, de educação, de saúde, para essas regiões mais afastadas do Brasil, mais esquecidas e para esse segmento, que tem sido vítima da violência urbana.

 

Uma vez, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, li uma frase em grafite, nas ruas da periferia de Recife, que me marcou muito, não tanto pela estética nem tanto pela tradução social daquela mensagem, mas pela força simbólica do povo brasileiro. Ao lado de um adolescente pintado, nas paredes com os punhos para cima, estava escrito: expresso com o que tenho. Fiquei tocado ao ler aquilo, porque traduz perfeitamente a força criativa do povo brasileiro, sua capacidade inesgotável de reinventar realidades, de responder e superar adversidades, pela força de sua diversidade cultural.

 

Não posso deixar de falar nisso numa celebração ao Hip Hop do Brasil, porque o Hip Hop para mim é uma das manifestação mais expressivas da força criativa e da vocação antropofágica, que nos caracteriza enquanto cultura, enquanto Nação.

 

Engana-se quem diz que o hip hop brasileiro seria uma simples importação de uma manifestação cultural norte-americana. Sim, o hip hop foi assimilado pelo Brasil desde os anos 1980, inclusive chegou ao País pela dança, não pela música. O Bboy Nelson Triunfo, com seu cabelo no estilo Black Power e andar robótico, que causava grande estranhamento, foi um dos responsáveis por essa difusão no País.

 

No período de organização das equipes de break e do surgimento do grafite, entre 1983 e 1988, o rap conquistava sutilmente a juventude negra nos bailes chamados blacks.

 

E aí, mesmo que se alimente de sua genealogia estadunidense, o movimento hip hop passou por uma apropriação e uma ampla reconstrução, ao se abrir e se misturar com outras múltiplas formas de expressão brasileira, como o samba, o repente, o carimbo e outros gêneros musicais. O break se misturou com a ginga da capoeira e com o siriá, e o grafite também foi influenciado por desenhos regionais, retratando a caatinga, o sertão do Nordeste e os orixás da Bahia.

 

E não poderia ser diferente com um movimento de expressão popular tão forte, com um papel social e político tão expressivo e um vínculo tão profundo com a dimensão local ali cantada. "Se queres ser universal, canta a tua aldeia.”

 

Hoje o hip hop está amplamente disseminado no País. Pode ser encontrado em todo o território nacional, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas, mas também no interior do Brasil, em vários lugares.

 

Com isso, absorveu a diversidade da cultura brasileira, criando uma identidade própria, com múltiplas variações, tornando-se uma linguagem artística das mais representativas da nossa cultura.

 

O hip hop também assumiu no Brasil uma força política e social sem precedentes. Como cultura urbana que se disseminou na periferia das grandes cidades, tornou-se um instrumento vital não só de manifestação e expressão cultural, mas também de engajamento, protesto e transformação.

 

São artistas que conseguem recriar um ambiente muitas vezes de violência, de ausência do Estado e de carências básicas para a sobrevivência. Conseguem expressar beleza, força, capacidade de luta e resiliência.

 

Foi impressionante ouvir os relatos e as histórias daqueles jovens, que enfrentaram cenários de muita diversidade, de muita violência e foram resgatados pelo Movimento Hip-Hop. Portanto, foi com muita alegria e com muita emoção que hoje participei dessa celebração. Tínhamos ali presentes pensadores, artistas, profissionais da música, da dança, da arte urbana. E estávamos fazendo isso, talvez pela primeira vez, na Casa do Povo, no Congresso Nacional. E foi impressionante o número de pessoas, e o envolvimento e o engajamento dessas pessoas nesse evento.

 

Aqui no Distrito Federal, Sr. Presidente, o Movimento Hip-Hop vem ganhando espaço e assumindo características próprias, com reconhecimento nacional e internacional. Hoje, o Distrito Federal divulga no mercado cultural nomes como GOG, DF Zulu Breakers, BSB Girls, Atitude Feminina, Liberdade Condicional, Tropa de Elite, Guindarte 121, Viela 17, Código Penal, Pacificadores, DJ Raffa, DJ Jamaika, DJ Marola, Satão, Rapadura Xique Chico, entre tantos outros.

 

Gostaria muito que todos os Senadores desta Casa e toda a população brasileira tivessem ouvido o depoimento do GOG, artista de Brasília, na abertura do evento, pela força, pela autenticidade, pela profundidade do depoimento e também pela denúncia, pela indignação e, ao mesmo tempo, pela aspiração, pela esperança e pela mobilização para a construção de um novo cenário nacional.

 

Aliás, todos os depoimentos foram muito fortes na defesa de um novo modelo, um modelo de inclusão cultural e social.

 

Quero declarar que também sou um admirador do movimento. Não é de hoje que acompanho e tive oportunidade de contribuir como Secretário de Turismo, Senador Randolfe Rodrigues, junto com o então Governador do Distrito Federal Cristovam Buarque. Naquela ocasião, lembro-me, recebi três jovens, três adolescentes que me mostraram o grafite. Eles procuravam mostrar, a fim de sensibilizar, que o grafite é uma manifestação cultural diferente da pichação.

 

Eu tive oportunidade de ir ver, em vários lugares do Distrito Federal, essas manifestações dos grafiteiros. Naquela ocasião tive uma ideia que acabou tendo muito sucesso: nós resolvemos fazer uma série de cartões postais com as fotos dessas obras, desses grafites, e, no verso, letras de rap falando da cidade e falando da condição social em que as pessoas viviam. Isso foi muito interessante, porque em geral as pessoas viam Brasília apenas como cidade que é patrimônio cultural da humanidade – cidade de que temos muito orgulho –, conheciam Brasília por sua beleza cênica, por seus monumentos, por seu projeto urbanístico, e também como uma cidade identificada exclusivamente com a política. Esses cartões postais tiveram a capacidade, tanto pelos grafites como pelos textos, de mostrar outra cidade, uma cidade pulsante, uma cidade que representava as diferenças sociais existentes no Brasil – diferenças que, no caso de Brasília, são exacerbadas. Era uma manifestação, através da arte, do inconformismo da juventude brasiliense.

 

Também lembro que, em 2008, tive oportunidade de ser procurado mais uma vez, já como Deputado Federal, por representantes de diversos grupos de rap da cidade e, através de emendas parlamentares, apoiamos o primeiro e o segundo BSB Rap Festival. Naquele momento, como subproduto, produzimos uma série de CDs sob o título Coletânea Musical Várias Quebradas. Nesses CDs nós registramos a participação de mais de 50 grupos de rap do Distrito Federal.

 

Ali, naquele momento, eu senti o impacto, tive a consciência profunda do que significa o movimento hip-hop, por sua capilaridade, por sua força e por sua pujança na vida da juventude do Distrito Federal, especialmente na vida da juventude das periferias do Distrito Federal, de toda a região metropolitana do Distrito Federal, não só aqui no Distrito Federal, mas em toda região do entorno.

 

É impressionante o conteúdo social daquelas músicas, são verdadeiras manifestações políticas.

 

São verdadeiras manifestações políticas, não manifestações político-partidárias, mas manifestações sociais bastante profundas, bastante legítimas, de uma população que quer ser ouvida, de uma população que precisa ser ouvida, uma população que pode contribuir, inclusive com o Estado brasileiro, na elaboração de políticas de contenção da violência, de redução da violência, da elaboração de políticas de melhoria da educação, de reforma da educação. Porque, como disse um rapper hoje – salvo engano o GOG –, nós temos que fazer uma escola que atraia mais uma criança e um jovem do que a rua atrai. E, certamente, esses jovens têm uma contribuição importante a dar no sentido de identificar que escola a juventude quer, que escola a juventude precisa e que escola que efetivamente pode contribuir para a libertação dessa juventude.

 

Enfim, quero registrar que tenho a satisfação de dizer que venho acompanhando a formação, mobilização, divulgação, qualificação e valorização de inúmeros profissionais, artistas, integrantes do movimento Hip Hop desta cidade. É por isso que queremos mais. Fico muito feliz de ver o amadurecimento desse movimento, que hoje busca a regulamentação de suas profissões, incentivos fiscais específicos para o mercado cultural do Hip Hop, o fortalecimento da cadeia produtiva cultural desse seguimento para a consolidação desse mercado cultural e a ampliação de produtos e serviços. Além do fomento, há espaços formais de discussão, tais como os congressos, fóruns e audiências públicas, como a que realizamos hoje.

 

Consciente da importância desse trabalho, eu gostaria de parabenizar a iniciativa do Deputado Romário e de toda a Liderança do PSB na Câmara dos Deputados, que contribuiu para a organização desse evento. E, também, gostaria de dizer que me senti muito honrado, muito emocionado, com a participação nesse evento. É um evento que, sem dúvida, nos revigora, nos "reenergiza” e nos aproxima, cada vez mais, da razão de ser da política, que só tem sentido como um instrumento efetivo para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

 

Era esse registro que eu gostaria de fazer, Sr. Presidente.

 

Muito obrigado.

 

 

Fonte:
 
 
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