*/ Senador de Bras?lia:Os desafios da UnB e felicitações ao novo reitor
 
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Atualizado em :19/09/2012
Os desafios da UnB e felicitações ao novo reitor
 

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, em primeiro lugar, Sr. Presidente, quero agradecer a gentileza de V. Exª e cumprimentar todos que nos honram com suas presenças e visitam o plenário do Senado; cumprimentar os telespectadores da TV Senado e os ouvintes da Rádio Senado.

 

Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a Universidade de Brasília encerrou, na última semana, um disputado processo eleitoral para a escolha de seus dirigentes máximos, com a vitória da chapa formada pelo Prof. Ivan Camargo, do Departamento de Engenharia Elétrica, e da Profª Sônia Báo, do Instituto de Ciências biológicas, com 51,46% dos votos ponderados de professores, alunos e servidores técnico-administrativos.

 

Ivan Camargo é o primeiro ex-aluno da UnB a assumir o cargo de Reitor. É se – e esperamos – após a confirmação da Presidenta da República, já que será encaminhada a lista tríplice pelo Ministério da Educação, mas é tradição, depois de um processo eleitoral, a confirmação do primeiro lugar, que é o Reitor Ivan Camargo. Mas, como eu dizia, o primeiro ex-aluno da UnB eleito para o cargo de Reitor. Professor Doutor do Departamento de Engenharia Elétrica, teve atuação destacada em sociedades científicas, presidiu a Sociedade Brasileira de Planejamento Energético, participou do Conselho Superior da FAPDF – Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal e editou a Revista Brasileira de Energia, além de publicar numerosos trabalhos científicos e orientar alunos de graduação e pós-graduação. Na Administração Pública, foi superintendente de regulação dos Serviços de Distribuição e assessor da Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

 

A Vice-Reitora eleita, a Profª Sônia Báo, do Instituto de Ciências Biológicas, terminou seu doutorado em biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é pesquisadora 1B do CNPq e desenvolve trabalhos de nível internacional na área de microscopia eletrônica e biotecnologia. Além de participar de sociedades científicas, orientar alunos de mestrado e doutorado, desde março de 2006 é Diretora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília.

 

Terminará, portanto, dentro de algumas semanas, a gestão do Magnífico Reitor José Geraldo de Souza Júnior, que com competência promoveu uma grande expansão da Universidade de Brasília, por meio do Reuni, a expansão da pós-graduação e a implantação de cursos de educação a distância, dentre vários outros avanços.

 

Quero aqui registrar, cumprimentar o Reitor José Geraldo, seu Vice-Reitor João Batista e toda a equipe, todos os decanos dessa gestão da Universidade de Brasília, que cumpriram um papel importante nessa fase de transição por que passa a Universidade de Brasília.


O SR. PRESIDENTE (Anibal Diniz. Bloco/PT – AC) – Senador Rodrigo Rollemberg, permita-me anunciar a presença dos alunos do 9º ano do Sesc Cidadania de Goiânia, que se encontram aqui nas galerias do Senado.

 

Sejam todos muito bem-vindos.

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF) – Sejam todos muito bem-vindos. É uma alegria poder recebê-los aqui no plenário do Senado Federal, Casa do povo.

 

Portanto, o novo Reitor eleito, Sr. Presidente, junto com a Vice-Reitora, tem um grande desafio em torno de construir um projeto de universidade da UnB para o século XXI, superando todas as diferenças eleitorais, unificando a Universidade de Brasília. É preciso agora avançar em um projeto comum capaz de responder à pluralidade que deve caracterizar uma instituição acadêmica.

 

Nesse processo, no nosso entendimento, três desafios parecem fundamentais para a Universidade de Brasília: a qualificação acadêmica do ensino, da pesquisa e da extensão; a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico e a produção de inovações tecnológicas; e a sustentabilidade da própria instituição e do desenvolvimento do País.

 

O primeiro grande desafio é o da qualificação acadêmica do ensino, da pesquisa e da extensão oferecidos pela UnB. A UnB é uma universidade que nasceu sob o signo da vanguarda, da ousadia. E o que esperamos da UnB é que ela esteja sempre no topo das universidades brasileiras, como uma universidade moderna, uma universidade inquieta, um grande centro de produção de conhecimentos, de difusão de conhecimentos e um grande centro formador de profissionais qualificados.

 

Sabemos que a expansão propiciada pelo Reuni trouxe inúmeras oportunidades para as universidades federais, mas também multiplicou expressivamente as necessidades e demandas dos dissentes e professores.

 

Apenas nos últimos cinco anos a UnB dobrou de tamanho em número de professores e alunos. Foram criadas unidades em três cidades do Distrito Federal: Planaltina, Gama e Ceilândia, além dos polos de extensão em outras cidades.

 

Além disso, ampliou o número de vagas em cursos presenciais de graduação. Ao todo são quase 8.500 novas vagas, o que fez dobrar o número de alunos matriculados em cursos presenciais.

 

O crescimento também trouxe mais alunos em situação de vulnerabilidade social, que reivindicam, dentre vários pontos, o aumento da oferta de bolsas moradia e permanência. Existem também graves problemas de infraestrutura na UnB, que requerem a conclusão de obras e construção de novos espaços e a reforma de estruturas desgastadas, entre as quais gostaria de citar o Centro Olímpico, o Hospital Universitário e a monumental obra de Oscar Niemeyer, o Instituto Central de Ciências (ICC), conhecido como Minhocão.

 

Mas, ao lado desses problemas, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, impõe-se a tomada de decisões políticas para enfrentar os desafios dos novos tempos.

 

É chegada a hora de se pensar na reforma do atual projeto de gestão da Universidade, de modo a torná-la mais moderna e menos burocratizada e realizar investimentos que se traduzam na qualidade da formação dos alunos, futuros profissionais essenciais para o País, na preparação dos servidores técnico-administrativos e nas atividades científicas desenvolvidas pelos pesquisadores.

 

Entre as estratégias de enfrentamento da crise, será fundamental, por exemplo, uma maior integração entre graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão. As atividades em sala de aula são complementares às desenvolvidas em torno da pesquisa científica, tecnológica e de inovação. Assim, a interdisciplinaridade pode tornar-se prática cotidiana, essencial ao avanço institucional.

 

A extensão precisa ser valorizada e assumida pela Universidade com o mesmo patamar que têm o ensino e a pesquisa porque representa um grande elo com a comunidade. Muito mais que um retorno da universidade à sociedade, a extensão permite uma troca de saberes que enriquece o saber acadêmico e qualifica os saberes da comunidade. É uma via de mão dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade de elaboração da praxis de um conhecimento acadêmico.

 

Defendemos uma extensão mobilizadora, inovadora, não uma extensão clientelista; uma extensão que produza novos saberes na relação do conhecimento acadêmico com o conhecimento produzido pelo povo na sua luta pela sobrevivência.

 

Ainda hoje, tive oportunidade de proferir uma palestra na Universidade de Brasília, por ocasião da Semana de Mecatrônica, e disse da importância que penso que tem a Universidade de Brasília como universidade pública, no sentido de promover um grande programa de extensão tecnológica para micro e pequenas empresas no Distrito Federal e em toda a nossa região metropolitana. Esse fluxo que estabelece a troca de saberes acadêmico e popular terá como consequência a produção de conhecimentos sintonizados com a realidade brasileira, a democratização do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na atuação da universidade.

 

Não poderia deixar aqui de mencionar a importância do Cespe, que nasceu e cresceu inteiramente dentro da UnB, e, depois de realizar centenas de grandes concursos e de selecionar quadros para os mais importantes cargos públicos do Estado brasileiro, implantou critérios de excelência em avaliação amplamente reconhecidos em todo o País.

 

E saúdo todos que nos visitam no plenário do Senado neste momento, mais um grupo que nos honra com sua presença.

 

Importante registrar que o Cespe não é apenas uma instituição realizadora de concursos. Hoje, o Cespe também desenvolve pesquisas sobre as melhores formas, os melhores métodos de selecionar os melhores quadros para a Administração Pública brasileira.

 

Tenho convicção de que os novos gestores da UnB dedicarão grande atenção para que o Cespe possa continuar a contribuir com a competência e eficiência habituais para o aperfeiçoamento dos processos seletivos estabelecidos pela Constituição Federal de 1988.

 

O segundo grande desafio diz respeito ao desenvolvimento científico e tecnológico e à inovação. A UnB é o maior centro de pesquisas da Região Centro-Oeste, com dezenas de cursos de mestrado e doutorado e milhares de pesquisadores, professores e alunos de pós-graduação e iniciação científica. É preciso facilitar o acesso aos recursos materiais e financeiros disponíveis no Brasil e no exterior para a pesquisa e formação de professores. É preciso criar na Universidade uma estrutura de apoio à pesquisa, para que a energia que é hoje despendida pelos pesquisadores na administração de projeto seja efetivamente gasta na busca de novos conhecimentos.

 

A UnB também deve liderar o processo de interação entre a comunidade científica, os produtores de tecnologia e as empresas sediadas no Distrito Federal, no Centro-Oeste e, por que não dizer, em todo o Brasil, compartilhando laboratórios, utilizando os benefícios da legislação federal e contribuindo para aprimorar a legislação local.

 

Tivemos um grande avanço com a aprovação da Lei de Inovação, mas precisamos criar uma cultura de inovação no País, um ambiente de inovação, que permita uma interação cada vez maior da universidade com o setor produtivo, a universidade produzindo conhecimentos e contribuindo para a produção de inovação em produtos e processos dentro das empresas.

 

Com efeito, a UnB tem papel fundamental na extensão tecnológica, voltada prioritariamente para micro e pequenas empresas, com ganhos significativos na capacitação de quadros para a gestão e o desenvolvimento tecnológico. Tais ações têm grande repercussão nos processos e produtos produzidos em Brasília, agregando qualidade e valor à produção local. Sugiro que o CDT – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da UnB, instituição que tem mais de 25 anos de experiência acumulada nesses setores, seja ainda mais apoiado e valorizado.

 

Reafirmo aqui a importância das tecnologias assistivas, voltadas para a inclusão social, lembrando que a UnB tem desenvolvido um trabalho consistente em diversas áreas, como, por exemplo, o trabalho pioneiro e inovador voltado para a educação de surdos, ou diversas pesquisas que estão em andamento no Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS).

 

Devo destacar também a importância da implantação dos Parques Tecnológicos de Brasília, que imprimirá maior empreendedorismo à vida acadêmica, propiciando condições permanentes de inovação em diversas áreas do conhecimento e dará grande impulso à economia do Distrito Federal e do Centro-Oeste. Nesse sentido, tenho certeza de que os Professores Ivan Camargo e Sônia Báo, parceiros de primeira hora desse sonho, darão grande contribuição para que seja realizado.

 

Refiro-me especificamente e inicialmente a dois parques tecnológicos, o Parque Tecnológico Capital Digital, que se arrasta há muitos anos e, sem dúvida alguma, precisa contar com a colaboração efetiva da Universidade de Brasília, que tem na área da tecnologia da informação uma das suas áreas mais avançadas.

 

Também me refiro ao Parque Tecnológico de biotecnologia, uma grande vocação da nossa cidade que sedia cinco centros da Embrapa; a uma sede da Fiocruz; à própria Universidade de Brasília, que tem uma grande tradição em biotecnologia; à Universidade Católica, unindo comunidade acadêmica e setor produtivo, para investir nessa área, que é fronteira do conhecimento, unindo biotecnologia com nanotecnologia, produzindo uma verdadeira revolução na economia do Distrito Federal e de toda a região.

 

Como terceiro desafio estão o desenvolvimento humano e a sustentabilidade. Impossível pensar em uma universidade do século XXI que não esteja comprometida com o desenvolvimento humano e não seja espaço de criação e promoção de sustentabilidade. A UnB foi pioneira na implantação de uma política de cotas raciais e o Prof. Ivan Camargo, como Decano de Graduação, foi quem implantou a novidade. Hoje a UnB se destaca por incluir, em cursos de graduação e pós-graduação, indígenas e pessoas com deficiência – o que constitui uma grande contribuição para o País, no sentido de oferecer educação de qualidade para grupos que historicamente permaneceram à margem das oportunidades. E certamente criará, nos próximos anos, condições para que alunos que vêm da escola pública no novo sistema de cotas tenham acesso à formação profissional de qualidade.

 

A sustentabilidade da universidade implica a ambientalização de currículos, da gestão e dos espaços construídos, assim como ações efetivas nos campi, por meio da minimização dos impactos ambientais gerados pela instituição, a destinação adequada para os diversos tipos de resíduos gerados, a diminuição do consumo, o uso racional da água e da energia e a utilização de critérios sustentáveis para a aquisição de bens e serviços. Essas ações certamente influenciarão o modo de viver dos alunos e terão consequências para o Distrito Federal e para o País.

 

É importante também registrar o papel da Universidade de Brasília na formulação de políticas públicas como universidade colocada no centro do País. Na Capital do País, a UnB, tem uma responsabilidade muito grande na formulação de políticas locais, regionais e nacional.

 

Srªs Senadoras, Srs. Senadores, mais do que nunca, torna-se imperativo voltar à experiência milenar que entende a universidade como espaço integrador da pluralidade do conhecimento. Em tempos de acelerado desenvolvimento técnico e de aplicação da ciência à vida social, este impulso será vital para nosso País, frente à iminência da forte crise econômica, que já assola o resto do mundo, do esgotamento de recursos naturais e da obsolescência das estruturas urbanas.

 

A Universidade de Brasília, que sempre esteve à frente do seu tempo, inovadora em aspectos acadêmicos e pedagógicos, moderna em suas concepções e, acima de tudo, com educadores de forte espírito crítico, terá todas as condições, tanto em sua dimensão local, quanto nacional, de dar o salto de que precisa na relação de abertura para a sociedade e para o desenvolvimento do País.

 

Quando o saudoso Darcy Ribeiro dizia que uma universidade deveria existir como projeto, como utopia, antes de existir como fato, falava na verdade que a cidade não precisava apenas de uma casa de ciências ou de um espaço de formação. Precisava de mais, precisava daquilo que o próprio Darcy denominou "Casa do Espírito", ou seja, a casa de todo o saber humano. Uma casa de saberes e fazeres, que fosse além dos limites da ciência para inovar em reinvenção da realidade, polo de irradiação cultural e intelectual, comprometida com um diálogo profundo com a sociedade.

 

Tínhamos ali um projeto marcado pelo compromisso social, no qual universidade e comunidade estavam juntas em prol de um projeto autônomo de nação, que nos ajudasse a superar os impasses para o desenvolvimento humano e sustentável, que fosse mais do que uma instituição de ensino, mas uma instituição de civilização, como tão bem definiu Darcy Ribeiro.

 

Uma instituição que nasceu da aliança profunda entre universidade e comunidade pode fazer desta aliança um caminho de renascimento, de soluções criativas para a cidade. Estou certo de que a universidade já está neste caminho e que avançará ainda mais, porque tem todo o potencial, a estrutura e a vontade para continuar a avançar.

 

Quero, como coordenador da Bancada do Distrito Federal no Congresso Nacional, manifestar o nosso compromisso com a Universidade de Brasília.

 

Parabenizo, aqui, o Reitor e o Vice-Reitor que deixam neste momento o cargo, na figura do Reitor José Geraldo. Cumprimento e felicito o novo Reitor, Ivan Camargo, e a nova Vice-Reitora, Sônia Báo. Desejo muito sucesso. Contem com a Bancada do Distrito Federal.

 

O Brasil espera muito da Universidade de Brasília.

 

Muito obrigado!

Fonte:
 
 
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