*/ Senador de Bras?lia:Brasília 52 anos – O Espírito de Brasília
 
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Atualizado em :20/04/2012
Brasília 52 anos – O Espírito de Brasília
 
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Srª Presidenta, Senadora Ana Amélia, prezados Senadores e Senadoras, Senador Mozarildo Cavalcanti, prezados telespectadores da TV Senado, ouvintes da Rádio Senado, moradores do Distrito Federal, Brasília faz 52 anos em estado de alerta. Erros acumulados, omissões estabilizadas, heranças malditas ou benditas, não importa enumerar as razões do desequilíbrio. Já temos diagnósticos suficientes para tomar decisões mais estruturais. Já sofremos o bastante para saber o que não é para fazer, mas não temos certezas absolutas, infalíveis, do que deve ser feito.

O que importa é que a aniversariante receba choques de gestão e medidas extraordinárias administrativas, mas não falte nunca o sentimento profundo de amor pelo que esta cidade significa. O que a Capital do Brasil significa na transição do país-território ao estágio pleno de ser nação. Onde os governantes sejam estadistas. Onde habitantes sejam cidadãos. Onde locais aconteçam como lugares de referência para a vida e a história.

Brasília sempre estará sob impasse por estar na encruzilhada das contradições macronacionais e não ser uma bolha artificial do conjunto nacional e mundial. A cidade cresce na tensão. A cidade sempre vai ferver em vias e desvios por estar no centro das questões brasileiras que não são estáveis e estão longe do equilíbrio social de justiça e fraternidade. 

Mas a cidade se fortalece na adversidade, como já escreveu o querido poeta da cidade TT Catalão:

Vento contra é pra voar mais alto 
mais forte mais bonito mais leve, 
vento contra é pra sair do chão e dar o salto 
mais solto mais longe menos breve; 
vencer a gravidade dos graves, 
instalar a gravidez do voo sobre os entraves 
vento contra é pra voar sem rumo 
mesmo que a linha nos ensine o valor do prumo...

É um apelo que envolve forças da sociedade e instrumentos institucionais de governo. Se hoje Brasília se encontra em processo acelerado de colapso, se o esforço do governo é reconhecido em poucos campos e não tem melhor sucesso em outros, isso comprova a urgência de uma retomada da própria reinvenção da cidade a partir de seus fundamentos de criação. Algo além do envolvimento técnico, administrativo e político.

Há um conjunto de emergências exigindo sensibilidade extraordinária. A cidade quer aquele algo mais revestido de razão e paixão, o que contenha o fio concreto das análises sem a perda do brio comprometido, para que as decisões sejam mais inteiras, mais plenas e próximas da complexidade que uma cidade fora do padrão como esta merece.

Nos anos pioneiros da construção, havia essa pulsação conhecida como "espírito de Brasília" e, depois, como "ritmo de Brasília" para demonstrar na prática o que aquele espírito, simbólico e mobilizador, era capaz.

Temos hoje, obviamente, outra configuração social, política e econômica. A escala dos problemas e o fluxo das demandas são muito mais densos e peculiares ao nosso tempo. Também perdemos aquela inocência impulsionadora, que hoje se degenera pelo descrédito, principalmente nas práticas de corrupção, nas manipulações de propaganda e mídia e nos falsos profetas.

A febre mobilizadora dos anos 60 precisa voltar em sua essência. Terá outra linguagem, outra forma, outros atores, outras frentes de revitalização, mas na base estará sempre a decisão de não permitir que o sonho original seja citado apenas como vaga lembrança de uma utopia abortada.

Retomar essas forças não mais para uma construção física da maquete que precisava ser erguida; mas para uma radical reinvenção da cidade em todos os seus fundamentos fundadores.

O espírito de Brasília, como foi imortalizado, tanto no suor e sacrifício dos trabalhadores candangos, como em pensadores, artistas e políticos, é a marca do empenho sem trégua para estabelecer o bem público como base da democracia.

O espírito de Brasília foi e será sempre construído no cotidiano e em pacto da argamassa gerada pela justiça. Espírito de fibra, espírito de luta e espírito de ética costurada na vida. Ética, sim, ilusão de ótica, não! Não apenas uma bandeira que se desgasta quando os discursos perdem a referência. Quando atos desmentem a oratória oca e oportunista é sinal de que atingimos o mais grave estágio da ruptura: a perda de credibilidade.

Acontece que crédito a gente recupera com medidas razoavelmente simples, já a credibilidade exige mudanças na raiz, nos valores, no próprio espírito que determina a lógica das ações.

O espírito de Brasília que incendiou corações e mentes há 50 anos exigia a atitude comprometida de autoridades refletidas em profunda credibilidade e esforço de doação. Continuavam humanas, frágeis, cometeram erros, avaliaram mal certas situações, foram até mesmo, algumas vezes, incompetentes na prevenção de outras, mas havia um anseio que se comprometia com o melhor, o mais justo, o mais certo e, assim, que soubesse corresponder à criação de um outro Brasil soberano em sua pluralidade cultural, política e econômica.

Isto Brasília trouxe para o Brasil. Sair do complexo de vira-latas, como escreveu o dramaturgo Nelson Rodrigues, era assumir uma nova atitude perante o mundo sem perder a singular pluralidade da mestiçagem brasileira. Por isso JK tinha Brasília como metassíntese. Por isso o crítico Mario Pedrosa e o antropólogo Gilberto Freyre projetavam Brasília além da geografia, da arquitetura e do urbanismo: era a provocação maior de uma nação que se fazia enquanto construía.

Esse espírito de Brasília precisa voltar, na escala e na leitura coerente com os tempos atuais, não por saudosismo ou folclore, mas pelo risco de perdermos a capacidade de resistir e nos recompor.

Esse aprendizado a cidade extraiu da própria flora singular do Cerrado: guardar água para o tempo seco, brotar quando todos a julgavam extinta, renovar onde a maioria desistiu, sabedoria de quem precisa enfrentar dificuldades e encontrar saídas originais no melhor signo da proposta de Lucio Costa – ousadia, invenção e coragem para prosseguir.

Creio fortemente que esse espírito candango da reinvenção da cidade não abandonou o brasiliense. Sentimos hoje a manifestação viva dos que não se entregaram e ainda lutam para melhorar nossas instituições e diminuir o injusto desnível social em que acessos são limitados e o crescimento pessoal e econômico só favorece a quem já esteja incluído no processo.

Temos provas, todo dia, do brasiliense comum continuando a construção da cidade para que seus benefícios não sejam só para alguns, mas se realizem em todos.

Um novo espírito da cidade exigiria mais do que a revisão de conceitos. Bastaria revisitar o que foi pactuado e cumprir o prometido.

Brasília se oferece em busca de reconciliação com um tempo em que cada um se sinta realmente participante, ativo e capaz de dar as respostas eficazes que esse novo tempo exige. E assim virá esse novo tempo.

Momentos especiais exigem respostas originais e pessoas extraordinárias, pois habitamos não só um conjunto geográfico, artístico, socioeconômico, político e administrativo. Somos muito mais do que política e a divisão que ela representa. Somos a soma de vários brasis, de vários sonhos, de várias mentes que se uniram por um novo projeto de país.

Se Brasília é um avião ou uma borboleta, como disse Lucio Costa, chegou a sua hora de alçar voos, de se libertar dos casulos, de se transformar profundamente para se tornar o que de fato veio ser neste País.

Somos as asas de nossa cidade em nosso zelo, nosso carinho e nossa paixão por Brasília, em cada modo de senti-la, por cada meio de vivê-la, por cada jeito de amá-la.

Parabéns, Brasília!

Um dia seu amor nos deu a vida. Agora o nosso amor lhe fará mais viva.

Viva esta cidade que continua viva!

Ouço, com prazer, V. Exª, Senador Mozarildo.

O Sr. Mozarildo Cavalcanti (Bloco/PTB – RR) – Esperei V. Exª terminar, porque não queria interromper o brilhante raciocínio e a homenagem que presta a Brasília. Como homem da Amazônia, quero dar o meu testemunho da importância que foi Brasília para o Brasil, mas especialmente para o Centro-Oeste e para a Amazônia. 

Juscelino teve uma visão – dizer de estadista é pouco – de interiorizar o Brasil. Lembro que quando um certo Presidente assumiu a Presidência disse que a rodovia Belém-Brasília era para onças. No entanto, graças a essa rodovia, hoje a região Norte está integrada ao resto do Brasil. Já temos outras rodovias, mas naquela época era a espinha dorsal. 

E, sem ser brasiliense, fico chocado quando vejo, na televisão ou nos jornais, o comentário como se Brasília fosse a sede dos corruptos. Esquecem que de Brasília, aqui, só temos três Senadores e oito Deputados Federais. Os outros são mandados pelos Estados onde são eleitos. Então, não gosto dessa pecha. 

Quero dizer que Brasília representa realmente uma síntese deste País. Temos brasileiros de todos os rincões aqui, trabalhando, residindo, como temos gente de todos os países. Aqui estão as embaixadas. Então, a concepção, na época, de Juscelino Kubitschek de trazer a Capital para cá, embora estivesse prevista na Constituição anteriormente, foi um gesto fundamental. 

Apesar dos problemas que V. Exª, que é conhecedor, coloca, tenho muito fé de que vamos suplantá-los. Digo nós porque não se trata de uma preocupação que deve ser só dos parlamentares de Brasília, mas de todos os parlamentares do Brasil, afinal se trata da Capital da República, a Capital de todos os brasileiros. 

Eu quero, portanto, por intermédio de V. Exª, cumprimentar todos os brasilienses aqui nascidos e aqueles que para cá vieram. Não é à toa que Brasília é patrimônio da humanidade, não só pela beleza arquitetônica, mas muito mais pela parte humana que existe em Brasília. Como médico, acho que os erros, as doenças que possamos estar sofrendo agora são perfeitamente sanáveis, e tenho certeza de que V. Exª será um dos grandes operadores dessa mudança. Parabéns.

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF) – Muito obrigado, Senador Mozarildo, fico muito honrado por ser aparteado, neste pronunciamento que faço em homenagem à nossa cidade, por V. Exª, que é um morador desta cidade e por ela muito querido. Digo sempre, Senador Mozarildo, que Brasília é o Brasil exacerbado. Temos aqui todas as qualidades do Brasil, deste País maravilhoso, deste País diverso culturalmente, diverso biologicamente, mas aqui também temos os graves problemas, de forma contundente, e diferenças sociais e regionais que temos em nosso País.

Mas, efetivamente, se há algo positivo que Brasília produziu foi exatamente a conquista desse interior do Brasil. Até a construção de Brasília, o Brasil vivia de costas para o seu interior. Toda a ocupação se dava apenas no litoral brasileiro. E Brasília propiciou o desenvolvimento de toda a região Centro-Oeste, propiciou a integração com a região Norte do Brasil, e o que precisamos fazer hoje, efetivamente, é resgatar o papel estratégico de Brasília.

Brasília deve ser vanguarda de um novo modelo de desenvolvimento, de uma nova postura das instituições. Esta cidade passa, já há alguns anos, por uma crise profunda, mas é na crise que estão os elementos para a construção de uma nova cidade, de uma nova sociedade e de um novo país. E Brasília tem uma responsabilidade muito grande na construção de um novo país.

Muito obrigado, Srª Presidente.
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