*/ Senador de Bras?lia:Miguel Arraes: o guerreiro do povo brasileiro
 
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Atualizado em :15/12/2011
Miguel Arraes: o guerreiro do povo brasileiro
 
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB - DF) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, quero fazer hoje uma celebração especial ao futuro. Eu não me refiro aqui ao futuro de forma abstrata, tampouco ao futuro de nossas projeções. Falo de um futuro concebido por um dos brasileiros mais notáveis de nossa história política, Miguel Arraes, que hoje completaria 95 anos de idade.

Arraes foi um homem de futuro, não apenas pelas gestões e ideias visionárias e por um modelo de desenvolvimento integrado, que lhe deram uma nobre biografia como homem público, mas pelo profundo compromisso com sua vocação humanista, sua consciência libertária, pela generosa entrega que teve com a sua gente, pela coragem de lutar e pela vontade explícita de mudar. Arraes costumava dizer que agora é hora de fazer o futuro e que o futuro seria o tempo de fazer do homem brasileiro. Falava do tempo em que todos os brasileiros teriam condições de se expressar em suas diversas matrizes étnicas e culturais. Falava do tempo em que todos os brasileiros teriam meios de participar efetivamente da história do País, do tempo em que teriam condições de assumir as suas liberdades em seu sentido mais concreto e que todas as liberdades implicariam o exercício de um poder efetivo. 

Enfim, ele falava de utopias, mas também de realidades possíveis, porque hoje, sem dúvida, já vivemos parte do futuro sonhado por Arraes, quando nos reposicionamos na economia e na governança internacional; quando evoluímos, ainda que a passos lentos, rumo a um Brasil mais alfabetizado; quando mais de 40 milhões de brasileiros pobres ascendem para a classe média; quando se multiplicam instrumentos democráticos e medidas de gestão participativa, como as conferências e pactos federativos firmados nacionalmente; e também quando se amplia massivamente o acesso à Internet e, com isso, os meios de expressão. 

Digo isso porque, hoje, certamente a "inclusão digital" não está apenas ligada ao acesso, mas também – e cada vez mais – à produção do conhecimento. Ninguém quer Internet só para trabalhar, aprender, interagir e se divertir. Os brasileiros querem Internet para escoar sua imensa capacidade criativa, para se expressar, para opinar, para denunciar e reivindicar e, portanto, para transformar.

Temos ainda um Brasil com desafios gigantescos por uma educação de qualidade e pela garantia de direitos básicos da população, mas, frente a tudo isso, posso dizer, com segurança, que hoje temos um País com indivíduos mais aptos a criar do que a assimilar, a agir do que a reagir e, portanto, mais aptos a participar de forma mais efetiva e consciente da história do País.

Esse é o futuro que Miguel Arraes tanto sonhou e lutou para construir. Como ele mesmo dizia, "um tempo brasileiro, marcado nem de pessimismo nem de otimismo, nem de desencanto nem de ilusão, mas da vontade de fazer". A construção desse tempo foi para ele uma prática maior do que o discurso. Foi assim em suas três gestões como Governador de Pernambuco e foi assim nos doze anos em que esteve à frente do Partido Socialista Brasileiro.

Falo aqui da prática traduzida em investimentos expressivos em infraestrutura; na ampliação do fornecimento de água e energia em Pernambuco; na ênfase na alfabetização de crianças e adultos; na criação do Movimento de Cultura Popular em Recife; na valorização da ciência e tecnologia como instrumento de desenvolvimento regional e local. Foi Arraes quem criou a primeira Secretaria de Estado no Nordeste para tratar do desenvolvimento científico e tecnológico, além da Facepe, Fundação de Amparo à Ciência do Estado de Pernambuco. Lembro que o Ministro Sérgio Resende foi o primeiro Secretário de Ciência e Tecnologia do Governo Arraes e, depois, Ministro da Ciência e Tecnologia no Governo do Presidente Lula.

Arraes também criou o Parque Tecnológico de Eletro-Eletrônica – Parqtel; a Biofábrica de Cana de Açúcar de Itapirema – a maior do País; desenvolveu e implantou um dos melhores sistemas de informações e gerenciamento de recursos hídricos do Brasil e criou o Programa Estadual de Difusão Tecnológica – Peditec, para capacitar trabalhadores e dar suporte às microempresas em todas as regiões do Estado.

Por fim, quero também destacar o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco, o Lafepe, um dos principais feitos de Arraes. O Lafepe ocupa hoje posição de destaque entre todas as indústrias farmacêuticas do País, comercializando em rede própria de farmácias a um custo em média cinco vezes inferior ao da rede comum e ainda com lucro para reinvestir.

Quero registrar que sempre me chamaram muito a atenção os últimos anos de vida de Arraes, já próximo dos noventa anos, sempre pensando no futuro, sempre procurando se informar, procurando ler e procurando formular para o futuro.

Enfim, são numerosas as iniciativas de Arraes que traduzem concretamente sua visão revolucionária e de vanguarda, como político e homem público ligado ao povo. Arraes foi um dos políticos mais completos que o Brasil já teve. Eu tive a honra de conviver com ele, principalmente nos últimos anos da sua vida, e o que sempre me impressionou em Arraes, já com 90 anos, é que ele jamais tergiversou em relação aos seus compromissos com o povo.

Esta certamente foi a maior lição que dele obtive: seu vínculo radical com o povo brasileiro, uma aliança real, profundamente ética e comprometida. A sociedade brasileira ainda não tem a dimensão do quanto pode significar a participação popular sobre bens públicos e o quanto isso pode implicar, realmente, na oxigenação de pontos esclerosados da máquina do Estado. Eis um dos tantos desafios do sonho de Arraes que ainda temos pela frente.

Em seu discurso de posse no governo de Pernambuco, em 1963, ele citou uma frase de Carlos Drummond de Andrade: "Tenho duas mãos e o sentimento do mundo". É. De fato, Arraes nos deixou como legado o dom de sentir o sentimento do mundo. Hoje não temos mais suas mãos, mas temos, sim, a sua consciência, que nos inspira e nos une em um projeto, em um sonho comum. Que façamos com as nossas, com as mãos de todo o País, o futuro do Brasil desejado por Arraes e por nós brasileiros.

Arraes costumava dizer que milhares de brasileiros poderiam estar no seu lugar. Sim, Miguel Arraes, é verdade, mas talvez você tenha sido o político brasileiro que mais chegou perto de fazer do seu lugar, efetivamente, o lugar de milhares de brasileiros.

Não poderia deixar, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, de, neste momento em que Miguel Arraes, Presidente do nosso Partido durante doze anos, completaria 95 anos de idade, fazer uma homenagem a ele, que deixou um legado de tantos que o seguiram politicamente – e vêm seguindo o seu exemplo –, a exemplo do que hoje ocorre com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, seu neto, que vem desempenhando um papel brilhante à frente do g ‘overno de Pernambuco e agora também à frente do Partido Socialista Brasileiro. 

Peço licença para ouvir, com muita alegria, Sr. Presidente, o Senador Cristovam Buarque.

O Sr. Cristovam Buarque (Bloco/PDT – DF) – Senador Moka, Senador Rodrigo, fico feliz o nome de Miguel Arraes aqui, levantado em seu discurso. Creio que posso fazer ao Dr. Arraes o maior elogio que alguém pode fazer a um político: quase 50 anos depois de eu ter votado nele, meu primeiro voto, quase menino, posso dizer, muito seguro, que não me arrependo. É isso que gostaria de ouvir dos meus eleitores daqui a algum tempo. Explico por que não me arrependo: não pela convivência que tive com ele anos depois, mas por algumas das qualidades fundamentais que um político deve ter. A primeira é a coerência. 

Miguel foi um homem coerente do primeiro ao último voto que recebeu. Todo mundo sabia quem era Arraes. Não havia dúvidas quanto a ele. Era transparente em suas posições. Segundo, essa transparência entrava nas causas. Ele tinha causas. A causa da Nação brasileira. Ele era um nacionalista. A causa do povo brasileiro. Ele defendia o fim da exclusão social. Ele tinha essas duas bandeiras fundamentais. Terceiro, a coragem. Não esqueçam que lhe foi oferecido em 1º de abril de 1964 sair do Palácio das Princesas, onde era Governador, e ir direto ao exílio bem protegido. Ele disse: Não saio. Não renuncio. Ali ficou até ser preso no Quartel dos Bombeiros. Eu fazia parte dos meninos que estavam ali na frente, gritando o nome dele. Desse movimento em frente ao Palácio, dois meninos morreram pelas balas das tropas que cercavam o Palácio. Arraes foi um homem de uma coragem ao longo de toda a sua vida. Por tudo isso – e não deveríamos, no mundo de hoje, lembrar de uma coisa óbvia -, a honestidade dele, nunca posta em suspeição. 

Então, Arraes é um homem que passou pela política, entrou na história podendo ter aqui, hoje, uma pessoa, mas sei que centenas de milhares do nosso Estado de Pernambuco podem dizer: "Eu tenho orgulho de ter votado em Dr. Arraes e nunca me arrependi do voto que dei a ele”. É isso que queria colocar como parte do seu discurso, Senador Rodrigo Rollemberg.

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF) – Muito obrigado, Senador Cristovam Buarque. Acolho com muita honra sua contribuição ao meu discurso. 

Ouço, também como muita alegria, o Senador Eduardo Suplicy e, em seguida, o Senador Cássio Cunha Lima. 

O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT – SP) – Prezado Senador Rodrigo Rollemberg, tal como o Senador Cristovam Buarque, tenho também as melhores memórias do Deputado Miguel Arraes, que foi Governador, mais de uma vez, do Estado de Pernambuco e que tanto honrou a sua terra, o seu Estado de Pernambuco e o Brasil. Uma pessoa de extrema coragem, firmeza, com ideais de construção de um Brasil mais igualitário, com justiça, solidariedade e real dignidade para todos.

Eu tinha, por volta de 1962, 1963, os meus 21 anos e, como estudante, conheci, por intermédio de amigos comuns, a filha de Miguel Arraes, que se encontrava em São Paulo, fazendo uma visita. Como estudantes, interagimos. Naquela época, lembro-me de que o Governador Miguel Arraes fora convidado a participar de um programa de entrevistas de alta audiência na TV Tupi, ali no Sumaré. Estávamos em um momento de tensão. Alguns tinham muito receio do que iria acontecer com o Brasil. Eram iniciadas marchas, como a da família, com Deus, pela propriedade, e outras ações de grupos muito preocupados com a eventual esquerdização, comunização do Brasil.

Miguel Arraes foi uma das pessoas visadas naquela época, e um grupo de pessoas foi lá tentar impedir que ele fosse realizar aquela entrevista. Lembro-me de ter sido um dos que foram lá garantir que ele pudesse dar aquela entrevista. Neste momento em que V. Exª o homenageia por seus 95 anos, veio-me à memória essa defesa que fiz do direito de Miguel Arraes, então Governador, poder ser entrevistado por um dos programas de maior audiência, lá, na TV Tupi Difusora. Era uma espécie do que hoje é o Roda Viva, Canal Livre, mas era um programa de grande repercussão política, e estavam querendo impedir que Miguel Arraes pudesse ali dizer o que pensava sobre a realidade brasileira. Feliz é o Partido Socialista Brasileiro por ter como seu Presidente maior Miguel Arraes, pelo menos dentre as suas maiores figuras e maiores figuras da história da democracia e da realização de justiça em nosso Brasil. Parabéns.

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF) – Muito obrigado, Senador Suplicy. Também acolho, com muita alegria e com muita honra, a contribuição de V. Exª ao meu pronunciamento.

Ouço com muita alegria, o Senador Cássio Cunha Lima.

O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco/PSDB – PB) – Senador Rollemberg, para que eu possa, como vizinho do Estado de Pernambuco, na condição de Senador representante da Paraíba, trazer o testemunho da trajetória desse extraordinário brasileiro que foi Miguel Arraes. Tive a honra e o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, de com ele conviver, ainda como Governador de Pernambuco, posteriormente como Deputado Federal, e o que mais marca a trajetória de Miguel Arraes é a sua absoluta coerência, a forma sempre reta, firme e contundente, em alguns momentos, quando necessário, para defender as suas ideias, o seu ponto de vista e contribuir para momentos decisivos da história do Estado de Pernambuco. 

Hoje, Pernambuco, governado por seu neto Eduardo Campos, experimenta um dos seus mais vibrantes e importantes momentos de pujança econômica. O Governador Eduardo Campos, com o seu talento, seu brilhantismo, seu espírito público, sua extrema competência, tem feito um trabalho – posso dizer na condição de vizinho e que acompanha de perto essa evolução – e uma verdadeira revolução em Pernambuco, inclusive com repercussões no próprio Estado da Paraíba, como posso citar, a título de exemplo, a instalação da fábrica da Fiat na nossa fronteira, que trará, inclusive, repercussão econômica também para o Estado da Paraíba, não apenas com a mão de obra que será aproveitada dos nossos Estados, tanto Pernambuco quanto Paraíba, como também, na sequência das instalações da unidade da fábrica da Fiat, as indústrias de autopeças na vizinhança dos Municípios de Pitimbu, de Alhandra, do Conde e de Caaporã. Portanto, somo esta minha palavra em homenagem à memória e à trajetória de Miguel Arraes e estendo-a ao trabalho profícuo, competente e dedicado do Governado Eduardo Campos.

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB – DF) – Muito obrigado, Senador Cássio Cunha Lima, também incorporo com muita alegria e com muita honra as palavras de V. Exª ao meu pronunciamento.

Concluo, Sr. Presidente, dizendo que certamente Arraes estaria muito feliz de estar acompanhando o desenvolvimento brasileiro, o fato de o País ter voltado a crescer, aliando crescimento econômico com redução das desigualdades sociais e regionais. Ficaria muito feliz em ver as taxas expressivas de crescimento do Estado de Pernambuco e as políticas implementadas por seu neto Eduardo Campos terem tanto sucesso, reconhecidas pela população; foi o Governador que teve o maior índice de votação e tem o maior índice de aprovação neste momento entre todos os Governadores do País. 

Portanto, são lições e exemplos que Miguel Arraes deixou, que vêm sendo seguidos por muitos socialistas em todo o País. Nós temos muito orgulho de Arraes, e, quando nos reunimos, sempre os militantes do PSB gostam muito de dizer "Arraes, guerreiro do povo brasileiro”. 

Muito obrigado, Sr. Presidente.

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