*/ Senador de Bras?lia:122 anos de nascimento de Cora Coralina
 
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Atualizado em :22/08/2011
122 anos de nascimento de Cora Coralina
 

Senhor Presidente, 

Senhoras Senadoras e Senhores Senadores,

Goiás, minha cidade.../Eu sou aquela amorosa de tuas ruas estreitas,/curtas,/indecisas,/entrando,/saindo/uma das outras./Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa./Eu sou Aninha.

Essa Aninha que, na sensibilidade de poeta precocemente desvelada se identificava tão completamente com sua Vila Boa, a cidade de Goiás que o mundo reconheceu como seu patrimônio cultural, era Cora Coralina. Nascida a 20 de agosto de 1889, foi batizada Ana Lins dos Guimarães Peixoto, registro ao qual foi acrescentado, pelo casamento, o sobrenome Brêtas. Cedo ainda, mal dados os primeiros passos na literatura – ofício tão prazeroso que a acompanharia para todo o sempre –, adotou o pseudônimo com o qual seria conhecida, reconhecida e amada pelo público que cativou.

Sinto-me feliz pela iniciativa de propor esta Sessão de homenagem a Cora Coralina, na passagem dos cento e vinte e dois anos de seu nascimento. Além de ser distinguido por laços de fraterna amizade com seus familiares, sou profundo admirador da personalidade e da obra de Cora, a quem tive o privilégio de conhecer. 

Como mulher e cidadã, Cora Coralina sempre se mostrou à frente de seu tempo. Verdadeiramente de vanguarda, assumiu posições e atribuições que, naquele Brasil de princípios do século passado, normalmente não estavam reservadas às mulheres. Destemida, ousava defender ideias avançadas, invariavelmente comprometidas com a luta por uma sociedade mais fraterna, mais solidária e menos desigual. Postando-se ao lado dos mais fracos, ela se via impelida a batalhar por justiça, sobretudo em nome de mulheres historicamente condenadas ao silêncio por uma sociedade masculina e opressiva, a exemplo, entre outras, de camponesas, prostitutas e lavadeiras.

O otimismo, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores, sempre foi característica indissociável do caráter de Cora. Assim, para ela, o tempo presente era infinitamente melhor que o passado, da mesma forma que seria infinitamente pior que o futuro. Essa crença no amanhã, na perene esperança de um porvir que redima os homens de suas deficiências, era a seiva de que se nutria para celebrar a magia da vida.

A propósito dessa visão de mundo carregada de otimismo, que se entrelaçava com a esperança que nunca a abandonou, relembro depoimento por ela concedido à equipe de filmagem de "Cora Doce Coralina”:

Desejo transferir todo o meu otimismo, toda a minha crença no valor dos jovens, toda a minha crença nos valores humanos... toda a minha alegria de viver eu desejo transmitir para aqueles que me ouvem, principalmente para os jovens.

Outro traço marcante da personalidade de Cora Coralina, que transborda em prosa e verso, é a crença na força do trabalho. Instrumento de humanização do próprio homem, o trabalho é, para a poetisa, o instrumento essencial para o incessante – e sempre inconcluso – processo de transformação da vida. Daí a linda visão de História que ela sempre cultivou: pelo trabalho, o mundo se reinventa a cada dia!

Enfatizo, por fim, que poucos escritores brasileiros podem se ombrear com Cora Coralina na compreensão profunda do sentido da vida rural. Nascida num Brasil ainda muito preso à terra, mas tendo acompanhado a radical transformação conhecida pelo País ao longo do Século XX, simbolizada na rapidíssima urbanização, ela descreve a vida no campo de maneira fascinante. Um de seus mais conhecidos trabalhos, o Poema do Milho, é autêntica ode à terra e ao trabalho que nela se realiza. Na doçura dos versos, lá está a mais que perfeita simbiose entre o homem e o seu chão:

Cavador de milho, que está fazendo?/Há que milênios vem você plantando./Capanga de grãos dourados a tiracolo./Crente da terra./Sacerdote da terra./Pai da terra./Filho da terra./Ascendente da terra./Descendente da terra./Ele, mesmo, terra.

Cantando sua terra e sua aldeia, Cora foi intrinsecamente universal. Esgrimindo as palavras, conferindo-lhes o poder de traduzir valores e sentimentos que dignificam o ser humano, ela foi capaz de produzir uma obra literária que fala à alma. Felizmente, teve ela a oportunidade de, em vida, ser reconhecida e festejada por seu trabalho.

Que fique bem claro: o reconhecimento da importância do trabalho de Cora Coralina partiu de instituições culturais e governamentais, que se multiplicaram na oferta de prêmios e condecorações; passou por nomes consagrados de nossa cultura, a exemplo do poeta Carlos Drummond de Andrade, que fez questão de incensá-la publicamente; mas, sobretudo, chegou ao povo, a pessoas simples e comuns que também se extasiavam com seus textos.

Feliz a Nação que vê surgir de suas entranhas um ser tão especial como Cora Coralina. Seu ciclo de vida foi tão fecundo que a morte, ocorrida em 1985, jamais conseguiria apagar a força de suas realizações e a magia de sua obra poética. Parece que ela mesma tinha consciência do que fizera, algo que sobreviveria para a eternidade. No poema Meu Epitáfio essa percepção se faz presente:

Morta...serei árvores,/serei tronco,/serei fronde./ E minhas raízes, enlaçadas às pedras do meu berço,/são as cordas que brotam de uma lira.

Cora Coralina está e estará presente para sempre. Mesmo porque, como ela própria acreditava,

Não morre aquele/que deixou na terra/a melodia de seu cântico,/na música de seus versos.

Muito obrigado!

 
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