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Atualizado em :23/04/2014
#Brasília54anos - Cidade está ávida por um destino cidadão
 
No último dia 21, Brasília fez 54 anos. Passei um dia de muita emoção ao ver os brasilienses nos parques, na orla do lago, nas ruas de Brasília, com amor e muito zelo pela cidade. Também fui à Ceilândia, na comunidade do Sol Nascente e, na sexta-feira da paixão, para a belíssima encenação da Via Sacra em Planaltina.

Seja no fim de tarde com o piquenique no calçadão da asa norte, ou na belíssima apresentação da orquestra sinfônica no parque Olhos d’água. Seja na força transcendental dos tambores do Seu Estrelo, na explosão do fole do Flomulengo Pé de Serra ou na sutileza do saxofone do João Filho no Parque da Cidade. Seja na beleza da via sacra no morro da Capelinha em Planaltina...
 
Vi a cidade se encher de vida, de música, de arte, numa ocupação amorosa, estética e generosa de Brasília. E pensei, feliz, por um lado, o quanto ainda permanece forte o espírito de Brasília, o espírito criativo, agitador e comprometido por suas forças vivas e respostas de cidadania. Mas, por outro lado, senti um profundo incômodo ao ver que, em Ceilândia e outras regiões administrativas (que são tanto Brasília quanto o Plano Piloto), a celebração do aniversário da capital tenha sido uma lembrança de um tempo histórico e não uma realidade a ser celebrada. Esquecidas das programações oficiais, essas regiões clamam por seu lugar na vida da capital e deveriam estar não só na agenda de celebrações – como na agenda do desenvolvimento do DF.

A aniversariante Brasília poderia celebrar a sua força plural, assumir-se por inteiro, evocar a sua extraordinária diversidade, a sua capacidade de se reinventar em suas novas forças, em suas novas expressões e identidades, como a capital que não é apenas de todos os brasileiros, mas, principalmente, de todos os brasilienses.

O abismo social não é exclusivo de Brasília, mas ante a injustiça por desigualdades que a cidade reproduz e amplifica, há aqui uma configuração mais explícita dessas extremas contradições na própria ambição da cidade em se realizar como vanguarda de um novo tempo.
Todos os setores da Capital da República clamam por mudanças estruturais. Um choque para reacender a esperança e mudar essa face sofrida do cotidiano brasiliense. 
 
A cidade é uma só. Ninguém é mais brasiliense nem menos brasiliense sendo vítima de uma separação determinada por região. Todo o Distrito Federal – Plano Piloto e regiões administrativas – precisa de tudo o que vem sendo historicamente dado para poucos.
Quando vejo, por exemplo, a 2ª Bienal do Livro, que apresentou uma belíssima e diversificada programação, privilegiando autores e criadores de Brasília e do Brasil, fiquei muito impressionado. Mas quando soube que esta Bienal custou aos cofres públicos cerca de R$15 milhões (sendo R$11 milhões da Secretaria de Cultura e R$4 milhões da Secretaria de Educação) e que, durante todo o ano passado, o investimento para a manutenção da rede de bibliotecas públicas foi de apenas R$94,8 mil – dos R$2 milhões previstos na lei – vejo que alguma coisa está errada – e muito errada. (DADOS DA SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO DO DF/2013).

Onde estão e como estão as bibliotecas do DF? Como está a sua manutenção, como estão os seus equipamentos, a sua estrutura de segurança e acesso? Como a gestão dessa rede não conta com uma política pública permanente e integrada, que envolva a Secretaria de Educação e a Secretaria de Cultura? 

Nossa aniversariante precisa ser celebrada não só num dia, mas todos os dias, por sua gente, em todos os seus recantos, em todas as suas expressões, pela atenção e, na medida do possível, pelo atendimento efetivo de suas necessidades, de suas carências, dos seus anseios. 
Todos querem ser, todos querem ter e todos querem celebrar Brasília. Todos querem ser considerados como pontos de partida, como pontos de chegada, como autores da mudança e da realidade da cidade que se quer. 

Brasília é hoje uma das claras personificações do apartheid que é o modelo de urbanização brasileiro: a ideia de um espaço de qualidade para poucos, enquanto as maiorias ficam de fora. 
 
A periferia não se sente convidada ao Plano, nem o Plano consegue enxergar a periferia da nossa capital. Existe uma barreira simbólica e, por mais que esta barreira esteja consolidada histórica e culturalmente, ela ainda pode ganhar contornos mais sutis e começar a abrir suas frestas de transformação – que não sejam restritas a ações pontuais e isoladas no Plano ou nas cidades, mas por uma política que esteja, de fato, voltada para a metrópole, com vistas a um desenvolvimento integrado e diversificado das várias regiões do DF, em que programas, ações e estruturas não sejam apenas dispostas, mas convidativas a um novo tempo de desenvolvimento e convivência para a nossa capital. 
 
A justiça social e o bem-estar de qualidade de vida têm que estar em TODA BRASÍLIA. O Distrito Federal precisa ser pensado como um lugar para todos – e isso só acontecerá quando houver condições para as cidades se desenvolverem em seu potencial, em sua autonomia, sua vocação e em suas identidades.

Há um conjunto de emergências exigindo sensibilidade extraordinária. A cidade quer aquele algo mais revestido de razão e paixão, mas também de compromisso, de competência e responsabilidade. O que contenha o fio concreto das análises sem a perda do brio comprometido para que as decisões sejam mais inteiras, mais plenas e próximas da complexidade que uma cidade fora do padrão como esta merece. A capital precisa de decisões que não sejam tomadas de cima pra baixo, mas de baixo pra cima, que sejam de fato enraizadas, legitimadas e apropriadas pelo humano de sua gente.
 
Brasília está ávida de um destino cidadão, para além do monumento oficial. E penso que o maior presente que se pode dar à Brasília, hoje, é a abertura, a garantia e o compromisso com o seu destino cidadão. Uma cidade deve ser feita por sua gente, vivida por sua gente e pensada por sua gente. Esse estado de pertencimento e apropriação da ideia libertária que Brasília sugere nos incita a intervir, amorosamente, para dar sentido ao meio e nos sentirmos íntegros e integrados a esse meio. Não somos partes, não estamos fragmentados em conflito com o traçado, nem em confronto com os trajetos. Somos a linha e o desenho de novas realidades.

As linhas e o traçado convocados por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer são muito mais do que maquetes, são plataformas humanas: que precisam ser, de fato, assumidas pelo cidadão, pela a cidadania, para a cidade. 

Lembro das palavras de Lúcio Costa proferidas em 1974, quando afirmava que Brasília foi "feita para permanecer e traduzir, com dignidade, uma nova fase do Brasil, não de um país diferente, mas que continua voltado para o futuro”. É esse espírito que Brasília precisa retomar, uma cidade que nasceu para ser vanguarda não pode mais se colocar na retaguarda. 

Este momento deve ser de resgate – não o resgate de um PASSADO PERDIDO num tempo histórico – mas o resgate de uma PROMESSA DE FUTURO. Para que Brasília cumpra a sua vocação, o seu sentido original, o seu destino sonhado: reinventada por quem vive, por quem ama e por quem cuida da capital.

Ar, água, céu, ciência, arte, ideias, atitude, sonho, trabalho e massas continuam na argamassa da utopia. O "Espírito de Brasília", como foi imortalizado, tanto no suor e sacrifício dos trabalhadores candangos, como em pensadores, artistas e políticos, é a marca do empenho sem trégua para estabelecer o bem público como base da democracia.

Temos hoje, obviamente, outra configuração social, política e econômica. A escala dos problemas e o fluxo das demandas são mais densos e peculiares ao nosso tempo. Temos provas, todos os dias, do brasiliense comum continuando a construção da cidade para que seus benefícios não sejam só para alguns, mas se realizem para todos.

É preciso retomar essas forças não mais para uma construção física da maquete que precisava ser erguida; mas para um radical resgate da cidade em todos os seus fundamentos fundadores.

Não há desânimo quando lembramos o desempenho heróico dos candangos na árdua construção anônima de tanta beleza; não há tempo, nem espaço, para se omitir quando sabemos dos princípios de ética e dignidade presentes na vida dos homens públicos que honraram os primeiros dias da nova Capital. Creio, fortemente, que esse espírito candango inventivo e transformador não abandonou o brasiliense. 
 
Foi isto que Brasília trouxe para o Brasil. "Sair do complexo de vira-latas”, como escreveu o dramaturgo Nelson Rodrigues, era assumir uma nova atitude perante o mundo sem perder a singular pluralidade da mestiçagem brasileira. Por isso, JK tinha Brasília como metasíntese. Por isso o crítico Mario Pedrosa e o antropólogo Gilberto Freire projetavam Brasília além da geografia, da arquitetura e do urbanismo: era a provocação maior de uma nação que se fazia enquanto a construía.

É este espírito que precisa ser resgatado, na escala e na leitura coerente com os tempos atuais, não por saudosismo ou folclore, mas pelo risco de perdermos a capacidade de resistir e nos recompor.

Esse aprendizado a cidade extraiu da própria flora singular do cerrado: guardar água para o tempo seco, brotar quando todos a julgavam extinta, renovar onde a maioria desistiu. Sabedoria de quem precisa enfrentar dificuldades e encontrar saídas originais no melhor signo da proposta de Lucio Costa – ousadia, invenção e coragem para prosseguir.
 
Sentimos, hoje, a manifestação viva dos que não se entregaram e ainda lutam por nossa cidade. Tenho acompanhado, com muita atenção e empenho pessoal, a extraordinária mobilização dos brasilienses contra a absurda proposta do PPCub, que deveria ser um bem-vindo plano de preservação de Brasília, mas é, na prática, um irresponsável plano de especulação imobiliária, sem respeito nenhum com o tombamento de Brasília e com a qualidade de vida da população. Assim como a gravíssima proposta da Lei de Uso e Ocupação do solo – LUOS, que, na verdade, é um plano de super-ocupação urbana com profundas e graves intervenções nas várias regiões do DF, como é o caso da criação de um novo núcleo urbano em uma área de 17 mil hectares à margem da DF-140, entre São Sebastião e Santa Maria, na Bacia do Rio S. Bartolomeu, com prédios de até 15 andares, para abrigar cerca de 900 mil pessoas, população maior do que 13 capitais brasileiras, entre elas Florianópolis, João Pessoa, Macapá e Campo Grande. 
 
Juntos, PPCub E LUOS representam uma afronta ao conjunto urbanístico de Brasília e à qualidade de vida no DF, com graves danos ambientais, pois autoriza novas construções muito próximas a unidades de conservação, e sérios impactos na qualidade de vida, principalmente quando se sabe que o governo do Distrito Federal sequer comprovou a viabilidade desses projetos, ainda não apresentou para a sociedade os estudos técnicos para embasar o atendimento das futuras demandas de trânsito, drenagem pluvial, fornecimento de energia elétrica, abastecimento de água e esgotamento sanitário que surgirão com essas novas áreas urbanas e bairros. 
 
Não há pior presente para o aniversário de Brasília do que o PPCub e a LUOS – feitos sem que a população fosse ouvida adequadamente. E é muito especial ver que a cidade está mobilizada e atuante para combater essas ameaças e para pensar propositivamente o desenvolvimento da nossa capital. 
 
Um novo espírito cidadão que vem exigir mais do que a revisão de conceitos, que vem nos dizer que bastaria revisitar o que foi pactuado e cumprir o que foi prometido para Brasília.
 
A nossa capital se oferece em busca de reconciliação com um tempo onde cada um se sinta realmente participante ativo e capaz de dar as respostas eficazes que este novo tempo exige.
 
E assim virá este novo tempo. Momentos especiais exigem respostas originais e pessoas extraordinárias, pois habitamos não só um conjunto geográfico, artístico, socioeconômico, político e administrativo. Somos muito mais do que política, e a divisão que ela representa. Somos a soma de vários Brasis, de vários sonhos, de várias mentes que se uniram por um novo projeto de país. Se Brasília é um avião, ou uma borboleta, como disse Lucio Costa, chegou a sua hora de alçar voos, de se libertar dos casulos, de se transformar profundamente para se tornar o que de fato veio ser neste país. 
 
Somos as asas da nossa cidade, em nosso zelo, nosso carinho e nossa paixão por Brasília. Em cada modo de senti-la, por cada meio de vivê-la, por cada jeito de amá-la.
 
Parabéns, Brasília!
Fonte:
 
 
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