*/ Senador de Bras?lia:Debate do bloco de esquerda sobre a crise econômica internacional
 
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Atualizado em :02/08/2011
Debate do bloco de esquerda sobre a crise econômica internacional
 
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB-DF. Sem revisãodoorador.)- Sr. Presidente, registro a realização, ontem, peloblocodeesquerda, composto pelo PSB, PDT, PCdoB, PMN e PRB,deseminário para discutir a crise econômica internacional. Estiveram presentes oDeputadoCiro Gomes, o PresidentedoIPEA, Márcio Pochmann, oDeputadoPaulo Rubem Santiago e o PresidentedoPCdoB, Renato Rabelo.

Ficou muito claro que a crise é grave, mas ao mesmo tempo abre oportunidades para se mudar a correlaçãodeforças no cenário nacional. Mostrou-se claramente que oblocodeesquerdadispõedequadros que não apenas conseguem compreender essa crise, com muita clarividência, mas apontar caminhos corretos que o Brasildeve trilhar no sentidodeenfrentar e superar a crise edeaproveitar essas oportunidades.

Quero parabenizar,deforma muito especial, oDeputadoCiro Gomes pelas propostas apresentadas naquele fórum, Sr. Presidente.

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB-DF. Pronuncia o seguinte discurso.)- Sr. Presidente, Sras. e Srs.Deputados, realizou-se, na tarde-noitedeontem no Plenário 4,doAnexo 2,desta Casa, umdebatepromovidopeloBlocodeEsquerda, composto por PDT, PSB, PCdoB, PMN,degrandesignificadopara adefiniçãodos rumosdopaís, diante da atual crise econômico-financeira mundial.

Na ocasião, o presidentedoInstitutodePesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, odeputadofederal Ciro Gomes,doPartidoSocialista Brasileiro, e o presidentedoPartidoComunistadoBrasil, Renato Rabelo, fizeram uma avaliação abrangente sobre o caráter sistêmico e estrutural da retração econômica nos países ricos, as medidas que os diferentes países estão adotando, os impactos sobre o Brasil e as oportunidades que se abrem para o nosso país.

Ficou claro para todos os presentes, Sr. Presidente, Sras. e Srs.Deputados, que o governo Lula tem adotadomedidas corretas e necessárias para minimizar os efeitos da recessão nos países ricos sobre o nosso ritmodecrescimento. No entanto, ficou igualmente claro que novas medidas são necessárias, sobretudoas que dizem respeito à proteção e fortalecimentodomercadointerno edos setores economicamente mais vulneráveis da população edeestímulo à atividadeprodutiva.

A esse respeito, assumiram o primeiro plano nas discussões propostasdereformadosistema tributário nacional que combatam o seu inaceitável caráter concentracionista. Com base no mesmo entendimento, venhodefendendo, ao ladodeoutros companheiros, como adeputada Ana Arraes,doPSBdePernambuco, no bojo da reforma tributária, sob análisedoCongresso Nacional, a completadesoneração tributáriadetodos os produtos que compõem a cesta básica.

No que se refere às propostasdeinduçãodocrescimento econômicodopaís, odeputadoCiro Gomes chamou atenção para adeterioração das nossas contas externas e teceu duras críticas à atuaçãodoBanco Central, que, ao confundir a atual pressão inflacionária gerada pelo câmbio com uma inflaçãodedemanda, manteve, na última reuniãodoCopom, a taxa Selic no absurdopatamarde13,75%. Ou seja, nossa principal autoridademonetária permanece atuandoem franca dissintonia com asdemandasdeincremento da atividadeprodutivadopaís.

A crise está confirmandoo processodetransferênciadocentro dinâmico da economia mundialdos Estados Unidos para a Ásia. Ao mesmo tempo, se o Brasil não aprofundar as medidas tendentes a proteger seu mercadointerno, garantindoe ampliandoo poderdecomprados mais pobres, e a favorecer a produção e a exportaçãodebens com alto valor agregado, combatendoa agiotagem que beneficia uma minoriaderentistas e paralisa nossa economia, estaremos, lamentavelmente, confirmandouma outra tendência das últimas décadas: a da estagnação ou até mesmododecréscimo da participaçãodoPIBdonosso país edoconjunto da América Latina no PIB mundial.

Em todoo mundo, os governos estão assumindosuas responsabilidades. O governodopresidente Lula segue o mesmo rumo, porém com certa timidez. O momento, contudo, exige ousadia.

Era o que tinha a dizer.
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