*/ Senador de Bras?lia:Somos os herdeiros de Tancredo Neves
 
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Atualizado em :03/03/2010
Somos os herdeiros de Tancredo Neves
 

O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB-DF. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, cada época ou conjuntura procura uma expressão que a defina adequadamente. Sugiro uma que, em meu entender, capta o sentido desta quadratura da vida nacional: "Somos os herdeiros de Tancredo Neves".

Essa é uma declaração dotada de óbvio sentido cronológico: a transição do regime de exceção para o atual regime democrático foi realizada sob a liderança de Tancredo. No entanto, seu significado mais profundo em muito transcende a mera cronologia, uma vez que a constatação de que a transição foi guiada pelo ilustre mineiro não responde à pergunta fundamental: por que a história escolheu Tancredo?

A bem da verdade, a pergunta deve ser refeita, nos seguintes termos: por que, mais uma vez, a história escolheu Tancredo?
Sim, pois já em 1961, logo após a renúncia do então Presidente Jânio Quadros, coube a ele assumir o cargo de Primeiro-Ministro, com a difícil missão de pacificar os ânimos entre aqueles que legitimamente defendiam a posse do Vice João Goulart, como Presidente do Brasil, e aqueles que viam na tomada do Poder pela força a única saída.

Tancredo não escolheu os termos ou os atores do conflito; escolheu, sim, a política como diálogo, como meio de superação de divergências, com vistas à união nacional. Por isso, foi escolhido. Porém, apesar de seus esforços, aquele conflito viria a desaguar na deflagração do golpe de 1964 e num ocaso de mais de 20 anos da democracia brasileira.

Em 1984, a não aprovação da Emenda Dante de Oliveira, mesmo após as manifestações pelas Diretas Já, num dos movimentos mais belos, justos e vigorosos de toda a nossa história, só deixava às forças progressistas uma alternativa: participar da sucessão presidencial num Colégio Eleitoral restrito e viciado, que sempre fora uma cidadela do continuísmo autoritário, e, mesmo ali, lograr eleger um Presidente comprometido com o restabelecimento da normalidade democrática.

Esse Presidente deveria ser alguém capaz de congregar o mais amplo leque de forças interessadas no encerramento do ciclo autoritário, que contasse inclusive com forças recém-egressas da base de apoio do regime militar. Na memória do País, como solução natural e inconteste, estava inscrita a figura e o nome de Tancredo.

O Muda Brasil, movimento destinado a dar sustentação popular à candidatura presidencial de Tancredo Neves, foi o legítimo sucessor do Diretas Já. A vitória nas eleições indiretas se apresentou como a forma possível de nossa transição democrática, e o Brasil de hoje, regido pelos princípios da Constituição Cidadã de 1988, é a prova cabal do valor inestimável da contribuição de Tancredo Neves.

No entanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, Sras. e Srs. Deputados, mais do que o protagonismo num momento delicado e crucial, Tancredo legou aos brasileiros um paradigma, um modelo, um estilo, que é cada vez mais atual: o de pacificador, mediador e artífice da conciliação nacional.

É possível que a vocação para promover a transformação política, econômica e social com base na conciliação, na união de atores políticos e sociais aparentemente incompatíveis emane das camadas mais profundas de nossa identidade e não do legado de um homem. Se é assim, Tancredo Neves é, sem dúvidas, um dos mais insignes representantes dessa nobre estirpe.

Ao tecer esse comentário, tendo discorrido brevemente sobre nosso passado recente, tenho em mente nosso presente e nosso futuro. O Brasil é hoje governado por um ex-operário, que se projetou na vida nacional como portador das justas reivindicações dos segmentos politicamente mais organizados de nossa sociedade. Como Presidente, porém, ele representa a Nação inteira. 

As estatísticas atestam o enorme prestígio do Presidente Lula entre empresários, servidores públicos, trabalhadores do setor privado e amplo contingente de brasileiros humildes, acolhidos num impressionante processo de inclusão social, graças à retomada do crescimento econômico e à repartição dos beneficios desse crescimento. Por isso, podemos afirmar com tranquilidade que o Presidente Lula é um genuíno continuador da grande obra da construção da união nacional, tão defendida por Tancredo.

Em poucos meses, seremos chamados a escolher o próximo Presidente da República. Seremos igualmente chamados a escolher Deputados Estaduais e Distritais, Governadores, Deputados Federais e Senadores. Eu creio que unir para transformar continua a ser a fórmula mais adequada para nos mantermos no caminho do desenvolvimento nacional, calcado em crescimento econômico, justiça social e sustentabilidade ambiental.

Um outro insigne brasileiro, o poeta Carlos Drummond de Andrade, mineiro como Tancredo, já havia feito em verso, muitas décadas atrás, seu célebre apelo à união: "Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas". Importa pouco saber se essa fórmula é um apanágio dos grandes líderes ou um traço fundamental de nossa cultura política. O mais importante é que os cidadãos brasileiros e os próximos mandatários da Nação guardem essa fórmula com carinho, como ensinamento fundamental a ser utilizado nos desafios que enfrentaremos ao longo deste século, sobretudo em áreas como a educação e a inovação científica e tecnológica, estratégicas em um projeto voltado à boa qualidade de vida para todos.


A política alimenta-se da polêmica, do debate de ideias, do embate de posições. Quando a polêmica é sinônimo de autêntico diálogo; quando as ideias são fruto da investigação rigorosa e honesta; quando as posições se fundam no interesse público, abrem-se as portas para o entendimento e a construção das alianças necessárias ao desenvolvimento econômico e social.

O Brasil vive o momento mais feliz desta era inaugurada por Tancredo e, em virtude disso, neste centenário de seu nascimento, temos muito a celebrar. No porvir, seu legado, a um só tempo mudancista e conciliador, será essencial para a conquista de vitórias ainda mais significativas para todo o povo.

Muito obrigado.

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