*/ Senador de Bras?lia:Reflexão sobre as conseqüências do aquecimento global
 
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Atualizado em :12/08/2008
Reflexão sobre as conseqüências do aquecimento global
 
O SR. RODRIGO ROLLEMBERG (Bloco/PSB-DF. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o aquecimento global poderá provocar mudança significativa no mapa da agricultura brasileira, gerando a redução de áreas produtoras e prejuízos econômicos de cerca de R$ 7,4 bilhões, em 2020, e de R$ 14 bilhões em 2070.

Os resultados fazem parte do estudo Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira, que avalia o impacto do aumento da temperatura sobre a agricultura em 2020, 2050 e 2070. A pesquisa avaliou as seguintes culturas: algodão, arroz, feijão, café, cana-de-açúcar, girassol, mandioca, milho e soja. Coordenado por Hilton Silveira, da UNICAMP, e Eduardo Assad, da EMBRAPA, o trabalho contou com a colaboração de 19 pesquisadores. 

O estudo avalia que, se nada for feito para mitigar os efeitos das mudanças climáticas ou adaptar as culturas para a nova situação, deve ocorrer uma migração da produção agrícola para regiões que hoje não são de sua ocorrência em busca de condições climáticas melhores. Os autores, todavia, lembram que a agricultura pode ter papel importante na mitigação e na adaptação aos impactos das mudanças climáticas.

O trabalho foi feito com base na tecnologia de Zoneamento de Riscos Climáticos, uma política pública que orienta toda a estrutura de crédito agrícola do Brasil, uma vez que informa qual o nível de risco de mais de 5 mil Municípios brasileiros para as culturas mais comuns do País. A partir do zoneamento de 2007 para essas culturas, foram simulados os cenários agrícolas do Brasil para 2010 (representação mais próxima das condições atuais), 2020, 2050 e 2070, diante das perspectivas de aquecimento global. Para isso, foram consideradas as projeções de aumento de temperatura do quarto relatório de avaliação do IPCC divulgado no ano passado. 

Para realizar o estudo, os pesquisadores adotaram os cenários A2 — o mais pessimista, que estima aumento de temperatura entre 2ºC e 5,4ºC até 2100 — e o B2 — um pouco mais otimista, que prevê aumento de temperatura entre 1,4ºC e 3,8ºC em 2100.

Com essas temperaturas, os pesquisadores do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), órgão ligado ao INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), simularam os cenários climáticos futuros no Brasil. Ou seja, como estará o clima de cada Município do País em 2020, 2050 e 2070, nos dois cenários.

Na nova geografia prevista para a agricultura brasileira, o Nordeste sofrerá forte impacto com o aumento das temperaturas. Toda a área correspondente ao agreste nordestino, hoje responsável pela maior parte da produção regional de milho, e a região dos cerrados nordestinos — sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia, onde predomina o cultivo da soja — poderão ser as mais atingidas, enquanto a mandioca corre o risco de desaparecer do Semi-Árido nordestino.

No Sudeste, o aquecimento do clima vai afetar principalmente o café, que terá poucas condições de sobrevivência nessa área. Por outro lado, a Região Sul, que hoje é mais restrita às culturas adaptadas ao clima tropical, por causa do alto risco de geadas, deverá se tornar propícia ao plantio da mandioca, de café e de cana-de-açúcar, mas não mais de soja. Já alguns locais do Centro-Oeste, que apresentam alto potencial produtivo, devem permanecer como áreas de baixo risco, porém cada vez mais dependentes de irrigação complementar no período mais seco.

A soja, principal produto agrícola exportado pelo País, com produção de cerca de 52 milhões de toneladas/ano e valor de produção de R$ 18,4 bilhões, conforme dados de 2006 do IBGE, poderá sofrer perda econômica de R$ 4 bilhões em 2020, resultado da redução de quase 24% da área apta para plantio no Brasil. As perdas podem chegar a R$ 7,6 bilhões em 2070, decorrente da diminuição de 40% da área apta para o plantio. A região que mais deve sofrer os impactos é a Região Sul.

Tomando como base a produção brasileira de café, de cerca de 2,5 milhões de toneladas e valor de produção de R$ 9,3 bilhões, segundo dados de 2006 do IBGE, o aquecimento global deve trazer prejuízos para a cultura de pelo menos R$ 882 milhões em 2020, com queda de área apta ao plantio de 9,48%. No cenário mais pessimista (A2), a queda de área de baixo risco atinge 33%, em 2070, o que representa prejuízo de R$ 3 bilhões.

Atualmente, o Estado de maior produção de café no Brasil é Minas Gerais, seguido por Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Paraná. Entretanto, com as mudança climáticas previstas, é possível que o café não tenha muita chance de sobreviver no Sudeste, migrando para a Região Sul.

A previsão para a mandioca é que o aumento da temperatura não será vantajoso para a cultura em todo o País. Em torno de 2020, o Semi-Árido nordestino deverá deixar de ser um local de baixo risco e outras regiões ainda não estarão quentes o suficiente para seu cultivo.

A perda de área da mandioca deve ser de 3,1%, com prejuízo de R$ 137 milhões. Nas décadas seguintes, a situação melhora para a raiz, que encontrará áreas mais favoráveis no Sul do País, por conta da redução do risco de geada, e na Amazônia, pela diminuição do excedente hídrico. O aumento da área apta começa com 7,29%, em 2050, chegando a 16,61%, em 2070, no cenário B2. No cenário A2, o avanço da área chega a 13,49% a mais, em 2050, e 21,26%, em 2070, com ganhos de R$589 milhões a R$ 929 milhões.

Com produção de cerca de 11,5 milhões de toneladas registrada em 2006 pelo IBGE, o arroz é considerado uma cultura de alto risco, devido à extrema sensibilidade às variações climáticas. Atualmente, a maior produção do arroz se encontra em regiões com níveis de chuvas mais propícios, em especial no centro-norte do Mato Grosso.

Para 2020, o arroz poderá ter prejuízo de R$ 417 milhões e redução em sua área apta para o plantio de quase 10% nas áreas produtoras. Em 2070, as perdas deverão estar em torno de R$ 600 milhões nos dois cenários.
Segundo a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra brasileira de feijão, em 2006/2007, foi de 3,52 milhões de toneladas, praticamente estável em relação à safra anterior. Usando esses dados como referência, a perda prevista deverá ser de R$ 155 milhões, em decorrência da redução de 4,3% da área apta ao plantio em 2020, podendo chegar a prejuízos de R$ 473 milhões, com redução da área de baixo risco de até 13,3%. A queda deverá ser maior na Região Nordeste.

Das culturas avaliadas, a cana-de-açúcar deverá ser a mais favorecida até o final do século XXI. A cultura, que hoje conta com área plantada de cerca de 6 milhões de hectares, terá área potencial de 17 milhões de hectares, em 2020, no cenário B2. Com essa expansão, o valor da produção, que em 2006 era de quase R$ 17 bilhões, poderá subir para R$ 29 bilhões, em 2020, no B2.

Áreas do Sul do Brasil, hoje com restrições ao cultivo da cana, podem se transformar em regiões de potencial produtivo dentro de 10 a 20 anos. Locais do Centro-Oeste que hoje apresentam alto potencial produtivo devem permanecer como áreas de baixo risco, porém serão cada vez mais dependentes de irrigação complementar no período mais seco. Com o aumento da temperatura nas décadas seguintes, a cultura precisará mais de irrigação, e a área total deve cair para 15 milhões de hectares até 2070, no cenário B2, diminuindo o rendimento para R$ 24 bilhões.

Já no A2, a cana deverá ter área potencial de 16 milhões de hectares, decrescendo para 13 milhões até 2070. Nesse cenário, o valor da produção pode subir para R$27 bilhões, em 2020, regredindo para R$ 20 bilhões, em 2070. 

De acordo com o Prof. Eduardo Assad, "o estudo permitiu identificar de que maneira a agricultura brasileira poderá ser atingida pelas mudanças climáticas. No primeiro momento, a situação poderá ser muito difícil de ser contornada. Entretanto, em função do grande conhecimento que o país tem hoje em relação às tecnologias em agricultura tropical, soluções biotecnológicas poderão ser adotadas para contornar os impactos nos próximos 20 anos".

Para os pesquisadores da EMBRAPA e da UNICAMP, métodos alternativos de lidar com a agricultura e a pecuária podem reduzir as emissões do setor e ajudar até mesmo a tirar da atmosfera os gases de efeito estufa, ajudando a diminuir o problema. 

"Paralelamente a isso, e visando reduzir as emissões de gases de efeitos estufa, ações de mitigação podem ser imediatamente adotadas, como a redução das queimadas e do desmatamento, adoção de práticas agrícolas altamente eficientes no seqüestro de carbono, como o plantio direto e a integração lavoura e pecuária", comentou o Prof. Hilton Silveira. Essas ações de mitigação, segundo ele, são talvez o maior diferencial que o Brasil tem hoje em face das mudanças climáticas. O Brasil é um dos poucos, senão o único país do mundo com área e tecnologia capazes de ter escala na redução das emissões de gases de efeito estufa.

É hora de refletirmos sobre as conseqüências do aquecimento global e os novos desafios da agricultura brasileira. É a segurança alimentar que está em jogo. Esta é uma questão estratégica e vital para o País.
O que é importante ressaltar, Sr. Presidente, é que temos que estar alertas a tudo isso. Precisamos investir em conhecimento, em ciência, tecnologia e inovação. Em função disso, é importante o projeto que o Governo Federal enviou ao Congresso Nacional e que cria o Fundo Nacional de Mudanças Climáticas, prevendo recursos orçamentários para trabalhar no sentido de mitigar os efeitos das mudanças climáticas, bem como para que possamos nos adaptar às mudanças climáticas que já estão acontecendo em nosso País.

Obrigado.
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