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Atualizado em :01/08/2012

O ouro de Marina

Rollemberg manifesta satisfação pela escolha da ex-ministra Marina Silva para carregar a bandeira dos anéis olímpicos na abertura dos jogos, em Londres. Neste artigo, senador ressalta trajetória política da ex-senadora e destaca sua luta em defesa do meio ambiente

(*)

Quem acompanhou as repercussões das Olimpíadas no Brasil certamente percebeu que, para além das disputas esportivas celebradas na cena global, cravou-se uma disputa não tão legítima e nobre, essencialmente política, na cena local brasileira.

Refiro-me, claro, à forma superficial com que foi tratada a participação da líder ambiental, a ex-senadora e ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na abertura dos jogos olímpicos, em Londres.

Jornais estamparam em capa rixa fabricada pelo noticiário, focado no suposto incômodo da presidenta Dilma Rousseff com o destaque dado à ambientalista. Sem entrar no mérito sobre qualquer dimensão pessoal implícita na questão, o que pouco se leu na opinião pública foi a análise sobre o que a participação de Marina Silva simbolizou para o Brasil e para a afirmação global de uma mensagem em defesa da vida.

Obviamente, a grande questão em jogo, ali, não era a pessoa, tampouco a sua trajetória político-partidária. O que estava em jogo era o símbolo de uma nação chamada Brasil e sua mensagem ao mundo como guardiã da maior biodiversidade natural do planeta. O que estava em jogo era uma causa, não só ambiental, mas também humana, em respeito a todas as formas de vida. O que estava em jogo era um alerta para o mundo diante de uma crise estrutural de seus modos de produção e consumo, a possibilidade de quebrar paradigmas de crescimento na busca de novos padrões de desenvolvimento.

Mais do que uma discussão personalista sobre quantos minutos os holofotes mundiais projetaram a ex-senadora Marina Silva e a nossa presidenta, está em questão uma projeção do Brasil no mundo, não só por seu patrimônio natural e cultural, mas também humano.

Por isso, hoje quero registrar minha profunda alegria pela homenagem e pelo papel do Brasil nesta celebração, os holofotes deveriam sim estar voltados para esta leitura simbólica e para a reflexão sobre qual mensagem somos portadores no mundo. Qual Brasil é hoje exaltado no cenário internacional? Certamente, não é apenas a sexta economia do mundo, nem somente a nação-síntese do mundo globalizado por sua própria força mestiça e cultural, nem o país-pulmão do mundo, que abriga a floresta mais exuberante e rica em diversidade do planeta. O Brasil trazido pela militante, pela ambientalista, pela humanista Marina Silva, é a nação-símbolo de uma cultura de sustentabilidade, do compromisso real pela vida – e não o Brasil pré-eleitoral em análises lineares do que venha a ser o capital político e suas possíveis apostas conjunturais.

Entendo que a maior reflexão que temos de fazer, neste caso, é sobre o quanto nos vemos na leitura que o mundo faz de nós. O quanto nos comprometemos, em nossas vidas, desde a dimensão mais íntima até a mais pública, com esta causa, com esta nova civilidade, mais humana, mais pacífica, mais diversa, mais generosa, mais respeitosa, mais universal.

Acredito que a escolha de Marina Silva, por todo o testemunho que deu em sua própria trajetória pessoal, pela seriedade e firmeza no compromisso com esses valores, foi acertada e uma grata surpresa para o país, que é muito mais do que governos, mas uma nação que se faz cada vez mais protagonista no mundo.

O Brasil assume cada vez mais presença internacional no debate sobre sustentabilidade e desenvolvimento, e é isto que devemos celebrar e também nos esforçar para fazer jus a esta distinção, para além da retórica e de discursos fáceis, mas, acima de tudo, pela prática cotidiana.

Somos incontornavelmente seres biológicos e culturais e a vida das comunidades humanas dependem da sua capacidade de preservar os ciclos naturais e serviços ambientais que elas sustentam.

Marina levou para Londres esta mensagem. Levou uma bandeira chamada Brasil, uma bandeira chamada paz, uma bandeira chamada vida.

Questionada se poderia usar isso em seu futuro político, ela disse que não quer usar um espaço "destinado a uma causa como um bem privado". Em suas próprias palavras, disse que gostaria "que isso fosse bom para o meu País, que fosse um legado. E um legado não pode ser apropriado por uma pessoa", disse Marina.

O ouro de Marina vem de um pódio sem ódio, vem de sua base amorosa, gentil de mulher guerreira e, principalmente, de sua coerência de luta.

Marina é ouro – não é bijuteria que se mostra sedutora para enganar incautos e logo perde o brilho, por não ser real.

Quando ela afirma ter sentido na abertura dos jogos olímpicos a mesma emoção de quando foi alfabetizada ela revela a força de um povo que se sente incluído, a honra de representar a nação brasileira na cerimônia e a nossa dívida com milhões de pessoas ainda na obscuridade iletrada.

O ouro de Marina não perde o brilho, porque o brilho dos que lutam pela vida melhor do povo e o respeito ao meio ambiente são os que criam a riqueza que realmente vai valer e fazer o futuro: a dignidade humana e o valor da biodiversidade dos biomas do Brasil realizada na diversidade cultural do nosso país.

Rodrigo Rollemberg é senador pelo PSB/DF e presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado

Artigo publicado no portal Brasil 247 - 2/8/2012

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