Governo aumentará bolsas para mestrado e doutorado (G1)
Mestrandos passarão a ganhar R$ 1,2 mil e doutorandos, R$ 1,6 mil. Reajuste de cerca de 20% será aplicado a partir de março de 2008
O governo decidiu elevar em 20% o valor mensal das bolsas de estudo para mestrado e doutorado oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A medida foi anunciada nesta terça-feira (20/11) durante o lançamento do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, os valores das bolsas mensais de mestrado passarão de R$ 940, para R$ 1,2 mil, e de doutorado, de R$ 1.340, para R$ 1,6 mil. A expectativa é que a Capes ofereça, até 2010, 60 mil bolsas, e o CNPq, 95 mil.
O Plano de Ciência e Tecnologia prevê investimentos totais de R$ 41,2 bilhões até 2010. São 21 linhas de atuação que vão desde a melhoria do ensino de ciências até um novo Programa Nuclear Brasileiro.
Ciclo industrial do urânio
Para o novo Programa Nuclear Brasileiro, o governo pretende usar os recursos para complementar a primeira fase da planta de enriquecimento de urânio, em Resende, no Rio de Janeiro, além de aumentar a produção de minério e a prospecção de urânio.
Sérgio Rezende afirmou que o Brasil pretende dominar completamente o ciclo industrial de enriquecimento do urânio até 2010. “O Brasil tem domínio de todos os ciclos do urânio, mas não tem eles em escala industrial. O processo de gaseificação [do urânio] está dominado em laboratório, mas precisamos fazer uma planta-piloto e eventualmente uma fábrica”, explicou.
O ministro de Ciência e Tecnologia descartou o uso do enriquecimento do urânio para construir uma bomba nuclear. O Brasil pretende manter o urânio enriquecido em 3% ou 4% e descarta chegar aos 90%, que é o nível usado em armamentos nucleares.
Rezende justificou a exploração de urânio no aumento do valor de mercado do produto. Segundo ele, a prospecção ocorrerá em parceria com a iniciativa privada, mas o governo, através das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), ficará com o urânio, e a parceria, com o subproduto não-nuclear derivado.
G1 - Tiago Pariz - 21/11/2007
